02/12/2022
 
 
Um doutoramento no Técnico

Um doutoramento no Técnico

Fábio Cruz 12/04/2022 08:52

Fazer um doutoramento no Técnico significa, por tudo isto, desenvolver competências técnicas – como a capacidade de abstração na formulação de problemas complexos e da sua decomposição em partes mais pequenas, bem como a sua resolução técnica –, sociais, de organização, mentoria e comunicação.

Texto adaptado do discurso proferido no Dia da Graduação 2022, de celebração dos diplomados em mestrado ou doutoramento do Técnico. O Dia da Graduação do Técnico é, primeiramente, uma ocasião para congratular todos e todas que celebram um marco tão importante como é a conclusão de um curso. E ser estudante no Técnico merece a comemoração de tanto: das amizades que se fazem, dos atarefados tempos de aprendizagem e trabalho, das celebrações dos passos que fizeram o nosso caminho até aqui, das oportunidades que se perspetivam para o futuro.

O evento é também especial por ser dada voz pela primeira vez a um graduado ou graduada de doutoramento. Importa, por isso, descrever como é ser estudante de doutoramento nesta Escola: quais os desafios a superar, que competências se adquirem, e quais as oportunidades que existem para quem termina este ciclo de estudos.

Em primeiro lugar, significa fazer investigação em alguns dos problemas mais desafiantes da ciência e tecnologia do mundo atual, em tópicos tão fascinantes como a computação quântica, a inteligência artificial ou o desenho da próxima geração de materiais. Significa trabalhar num problema, seja ele fundamental ou aplicado, com um enunciado que não vem nos livros ou nos artigos, sem solução prévia. No meu caso, o desafio foi compreender a dinâmica do gás de propriedades extremas que envolve estrelas de neutrões a que se dá o nome de plasma, usando para isso simulações realizadas em alguns dos maiores supercomputadores do mundo.

Para responder a questões tão ambiciosas, é preciso primeiro aprender sobre a nossa área de estudo, e depois investigar, desenvolver métodos inovadores de resolução de um problema científico, novas teorias ou experiências. No Técnico temos o privilégio de poder aprender e trabalhar com um corpo docente e com equipas de investigação que competem, em muitas áreas, com o que de melhor se faz no mundo, e contribuir de facto para o avanço do conhecimento científico e tecnológico.

Fazer doutoramento na instituição também nos permite, em muitos casos, aprender e colaborar com colegas investigadores de outras universidades ou empresas, nacionais ou internacionais. Nestas colaborações, é possível testemunhar que as competências que desenvolvemos em nada ficam atrás das dos alunos das mais conceituadas universidades do mundo. Prova desta igualdade de competências são as frequentes distinções de estudantes de doutoramento do Técnico pelos seus artigos e apresentações em jornais e conferências internacionais.

Mas ser estudante de doutoramento no Técnico não significa só investigar. Também significa ter um papel ativo no ensino, dando aulas de exercícios e de laboratório aos nossos colegas estudantes de licenciatura e mestrado, e participando na orientação das suas teses de mestrado.

E também significa, cada vez mais, ser membro ativo de clubes e núcleos de estudantes. O recentemente fundado Clube de Estudantes de Doutoramento do Técnico [http://phdstudentclub.tecnico.ulisboa.pt/] é a maior expressão dessa atividade. Este clube pretende representar a comunidade de estudantes de doutoramento na Escola, juntá-la em eventos sociais, divulgar e organizar oportunidades de formação, e aproximar os doutorandos do Técnico ao mercado de trabalho. O também recente Clube de Saúde Mental e Inclusão do Técnico [https://mentalhealthclub.tecnico.ulisboa.pt/] é outro exemplo da participação assídua de estudantes de doutoramento em atividades extracurriculares na Escola. Este clube, que junta estudantes de diversos ciclos de ensino e cursos, organiza eventos onde se debatem abertamente temas relacionados com saúde mental, com que vários estudantes, e em particular doutorandos, lidam durante os seus estudos. Como tantos outros, estes clubes identificam oportunidades de melhorar a nossa Escola e contribuem voluntariamente para criar um ambiente de maior união e segurança no Técnico.

Além de tudo isto, é ainda comum encontrar estudantes de doutoramento a divulgar ciência, a fundar empresas, a fazer desporto federado, ou a participar noutras associações académicas e civis.

Fazer um doutoramento no Técnico significa, por tudo isto, desenvolver competências técnicas – como a capacidade de abstração na formulação de problemas complexos e da sua decomposição em partes mais pequenas, bem como a sua resolução técnica –, sociais, de organização, mentoria e comunicação. Esta diversidade de competências permite a doutorados no Técnico continuar uma carreira académica, mas também integrar e enriquecer o tecido empresarial Português. Embora haja ainda muito trabalho a fazer para promover o conjunto único de competências desenvolvidas durante um doutoramento junto das empresas, são cada vez mais aquelas que contam com doutorados em equipas de investigação e desenvolvimento ou em outros cargos.

É, pois, com otimismo que olho para o futuro dos graduados de doutoramento. Tal como os ciclos de licenciatura e mestrado, um doutoramento do Técnico é, acima de tudo, garantia da capacidade indispensável na sociedade moderna de aprender a aprender. Pertencer à comunidade do Técnico, e dos estudantes de doutoramento do Técnico, é e será sempre, por isso, um enorme orgulho. Muito obrigado, e parabéns a todos e a todas!

 

Engenheiro Físico, graduado pelo
Instituto Superior Técnico

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