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Estados Unidos e Rússia trocam acusações em reunião em Estocolmo

Estados Unidos e Rússia trocam acusações em reunião em Estocolmo

Jornal i 02/12/2021 16:31

Perante o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, Blinken disse que os EUA estão "profundamente preocupados com os planos da Rússia para uma nova agressão contra a Ucrânia" e reafirmou que Moscovo sofrerá "graves consequências" se o fizer.

Os chefes da diplomacia norte-americana e russa trocaram hoje acusações sobre a Ucrânia, com Washington a pedir respeito pela soberania ucraniana e Moscovo a alertar para o regresso do "cenário do pesadelo do confronto militar" na Europa.

"Exortamos a Rússia a respeitar a soberania e a integridade territorial da Ucrânia e a devolver as suas forças a posições normais e pacíficas", disse o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, na reunião anual do Conselho Ministerial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Estocolmo.

Perante o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, Blinken disse que os EUA estão "profundamente preocupados com os planos da Rússia para uma nova agressão contra a Ucrânia" e reafirmou que Moscovo sofrerá "graves consequências" se o fizer.

Já Sergei Lavrov acusou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) de "aproximar as suas infraestruturas militares das fronteiras da Rússia".

Disse também que "está em curso um abastecimento militar da Ucrânia", o que "alimenta a ilusão de uma solução militar para o conflito", segundo a agência de notícias espanhola EFE.

"O cenário de pesadelo de antagonismo militar que atravessou o nosso continente após a famosa dupla decisão da NATO - alargamento a Leste em 1999 e 2004 - está a regressar. A Europa está em silêncio", acrescentou o ministro russo.

Num tom menos agressivo e mais "diplomático", Blinken e Lavrov encontraram-se durante cerca de meia hora à margem da reunião da OSCE, com o ministro russo a afirmar que Moscovo não quer "nenhum conflito" e a apelar para que os EUA cooperem na resolução da crise ucraniana.

Lavrov salientou que a situação internacional "é, de facto, muito tensa" e que "a única saída" é procurar um "equilíbrio de interesses".

"Estamos interessados em unir esforços para a resolução da crise ucraniana", disse Lavrov, citado pela agência Associated Press, referindo a necessidade do "restabelecimento de um canal de diálogo".

"Estamos prontos para isto", acrescentou.

Lavrov disse também que, "em diálogo com os Estados Unidos e os seus aliados", a Rússia insistirá na "elaboração de acordos que impeçam qualquer novo avanço da NATO em direção ao Leste" e o "destacamento de sistemas de armamento" próximo do seu território.

"Num futuro próximo, faremos propostas neste sentido e esperamos que os seus méritos sejam seriamente considerados, sem desculpas", acrescentou, fazendo eco de uma proposta feita pelo Presidente russo, Vladimir Putin, na quarta-feira.

Como disse o Presidente russo, "não queremos nenhum conflito", disse Lavrov a Blinken.

Trata-se do segundo encontro entre Blinken e Lavrov desde maio, quando estiveram reunidos em Reiquiavique, capital da Islândia.

Blinken reafirmou a Lavrov que "se a Rússia decidir prosseguir com o confronto, haverá graves consequências" e defendeu que a "melhor forma de evitar uma crise é através da diplomacia".

Também à margem da reunião da OSCE, Blinken encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, que depois anunciou no Twitter que Kiev e Washington estão a trabalhar num "pacote de dissuasão abrangente", incluindo sanções económicas, contra possíveis "medidas agressivas" por parte de Moscovo.

A Ucrânia e o Ocidente têm manifestado preocupação com o envio de tropas russas para a fronteira com a Ucrânia, mas Moscovo insiste que não tenciona invadir o país.

A Rússia acusa a Ucrânia e os seus apoiantes ocidentais de inventarem as alegações de uma possível invasão para encobrir os seus próprios desígnios, que considera agressivos.

A Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014, ano em que também eclodiu uma insurreição separatista numa região industrial do Leste da Ucrânia, conhecida como Donbass, alegadamente com apoio de Moscovo.

Desde então, mais de 14.000 pessoas morreram nos combates entre os separatistas pró-russos e o exército ucraniano.

 

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