28/9/21
 
 
Vítor Rainho 10/09/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Vinte anos depois o mundo está mais perigoso

Para que possamos receber os refugiados é necessário explicar a quem nos pede asilo que, por cá, nós temos os nossos costumes, onde as mulheres têm a mesma importância que os homens, onde os homossexuais são livres de o ser, onde podemos beber álcool e o corpo não é uma criação do demónio, entre muitas outras coisas.

Os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 não deitaram só abaixo o símbolo de uma forma de vida, as Torres Gémeas, como praticamente dividiram o mundo, entre aqueles que achavam que estávamos perante uma guerra religiosa e aqueles que entendiam que tudo não passava de um gesto isolado.

Certo é que, desde então, o mundo nunca mais foi o mesmo: até para fazer uma simples viagem de avião até Paris passou a ser necessário passar por um batalhão de detetores de metais e afins. Mas a essas pequenas alterações – onde se incluem a violação dos nossos dados pessoais – somamos guerras infindáveis em vários países, onde se alimentou a democratização em nome de não se sabe bem o quê. A chamada Primavera Árabe só serviu para depor os ditadores que lideravam esses países, mas que conseguiam manter a estabilidade nas diferentes populações. Com a queda dos Khadafis da vida, o caos tomou conta um pouco do mundo árabe. É óbvio que é preciso juntar a tudo isto as invasões dos aliados do Iraque e do Afeganistão, para se perceber a borrada que foi feita nos últimos 20 anos.

Com milhões de refugiados a procurarem a Europa – é estranho que não procurem os países árabes ricos – o velho continente passou a ser um caldo de culturas que nem sempre conseguem conviver em harmonia. Apesar dos vários ataques na Europa, muitos países ainda permitem que em algumas cidades suas a lei islâmica seja aplicada – localidades transformadas em autênticos guetos onde os ocidentais são obrigados a sujeitar-se às leis locais.

Para que possamos receber os refugiados é necessário explicar a quem nos pede asilo que, por cá, nós temos os nossos costumes, onde as mulheres têm a mesma importância que os homens, onde os homossexuais são livres de o ser, onde podemos beber álcool e o corpo não é uma criação do demónio, entre muitas outras coisas.

Vinte anos depois do ataque ao coração da liberdade, sim, Nova Iorque ainda é sinónimo de diversidade cultural e onde todos se cruzam uns com os outros, mas constatamos que estamos bem piores do que então. Veja-se o que ficou no Afeganistão, onde fanáticos em nome de Alá destroem vidas e sonhos de todos aqueles que ousam fazer-lhes frente. E pensarmos que os do Estado Islâmico ainda são piores 
não é muito animador.


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