15/6/21
 
 
José Cabrita Saraiva 07/06/2021
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

O futebol nacional tem o melhor e o pior

Essa força, infelizmente, não chega da mesma maneira a todos os níveis. Uma mistura de guerras de poder, divisões regionais e rivalidades mesquinhas faz com que o panorama do campeonato nacional não reflita esta riqueza como podia.

É um mistério entre outros. Quem fizesse um estudo sério sobre o assunto teria certamente dificuldade em explicar como este pequeno país de dez milhões de habitantes consegue produzir tantos e tão bons jogadores e treinadores de futebol. No que toca a jogadores, nem é preciso falar de Ronaldo. Rúben Dias, o jovem central do Manchester City formado no Benfica, foi recentemente eleito o melhor jogador da Premier League, logo na época de estreia.

Bruno Fernandes, vindo do Sporting, também deu cartas e ajudou o Manchester United a obter a melhor classificação dos últimos anos. Diogo Jota, antigo jogador do FCP, assinou exibições do mais alto recorte pelo Liverpool.

E na geração a seguir já vem uma nova fornada a caminho. Jovens talentos como Vitinha, Dany Mota e Rafael Leão, que disputaram ontem a final do Europeu de sub-21 com a Alemanha, podem sonhar com um belo futuro.

É um sucesso que resulta de um trabalho de anos, talvez de décadas, e cujos méritos não podem deixar de ser enaltecidos. De alguma forma, conseguiu-se criar uma espécie de ecossistema favorável ao florescimento do talento que tornou Portugal uma potência do futebol mundial.

Essa força, infelizmente, não chega da mesma maneira a todos os níveis. Uma mistura de guerras de poder, divisões regionais e rivalidades mesquinhas faz com que o panorama do campeonato nacional não reflita esta riqueza como podia.

Já se sabe que os melhores jogadores saem para campeonatos mais competitivos, onde são mais bem pagos. Não há como evitá-lo. Mas o que realmente contribui para a degradação do futebol ao nível dos clubes são as manobras de bastidores, as obsessões doentias, as picardias entre dirigentes, as intervenções de inenarráveis “diretores de comunicação”, que criam um ambiente altamente tóxico em torno do desporto.

Aí, há que reconhecer que as camadas jovens têm um ponto a seu favor. Embora o seu potencial seja enorme, ainda não envolvem somas de milhões e milhões. Ainda não foram corrompidos pelo dinheiro. Sei que hoje não é isso que vende. O que vende são as transferências sonantes, os insultos grosseiros e as grandes negociatas. Mas quem gosta realmente de futebol deve remar contra a corrente. Porque quando se fala de camadas jovens, fala-se de futebol em estado puro.


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