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Francisco Mota. "Quem alimenta este país são dois milhões de portugueses"

Francisco Mota. "Quem alimenta este país são dois milhões de portugueses"

Luís Claro 02/03/2021 08:56

Francisco Mota, que vai deixar a liderança da JP, apela à união do partido. “Todos fazemos falta”, diz.

Assumiu a liderança da Juventude Popular quando Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito para a liderança do partido. Foi difícil exercer o cargo tendo em conta as dificuldades que o CDS atravessa e as divergências que existem sobre o rumo do partido?

A tarefa de liderar uma estrutura após uma liderança tão carismática como a do Francisco Rodrigues dos Santos por si só era desafiante. No início tive o receio de colocar em causa o espaço mediático da Juventude Popular, mas o tempo comprovou o seu contrário. Num período controverso da política, e sob a égide do patriotismo que nos é reconhecido, marcamos a agenda e afirmamo-nos como alternativa ao socialismo. Se há estrutura partidária que foi a voz da juventude durante este período, foi a Juventude Popular. 

O CDS continua com fracos resultados nas sondagens. Consegue perceber as razões do eleitorado se ter afastado do partido?

As sondagens valem o que valem, mas ditam tendências, que nos devem manter em alerta e atentos. O CDS faz falta a Portugal e todos fazemos falta ao CDS. O divórcio entre a maioria dos eleitores  e os partidos políticos e o contínuo crescimento do absentismo são um fundo preocupante e perigoso que começa a evidenciar populismos mais radicais.

A abstenção tem vindo a subir. Nas últimas eleições legislativas, por exemplo, ultrapassou os 50%. Porque é que isso acontece?  

Precisamente pela descredibilização da política e dos políticos que, em vez de se assumirem como instrumentos ao serviço de Portugal, apenas procuram alimentar os corredores da politiquice e as lutas de poder. É necessário resgatar o credo dos valores acima do credo dos interesses. 

Como é que um partido com as características do CDS deve lidar com o aparecimento do Chega e da Iniciativa Liberal?

A melhor forma de lidarmos com estes novos partidos, não é negá-los, mas antes trazê-los para o espaço do debate das ideias, onde aí nos afirmaremos como a direita social, conservadora e democrata-cristã, com o foco num liberalismo económico e num Estado cada vez menos detentor das oportunidades dos jovens portugueses. 

É defensor de uma coligação pré-eleitoral nas próximas eleições legislativas?

Mais do que convencermos os líderes partidários a fazerem uma coligação pré-eleitoral, temos de trabalhar muito para convencermos os portugueses a voltarem acreditar numa alternativa de centro-direita. Nestes últimos seis anos, a situação agravou-se com a geringonça e a estatização e normalização da extrema-esquerda. O país não cresceu nada e perdeu a sua vertente reformista. 

Rui Rio é capaz de unir a direita ou está entre as pessoas que gostariam de assistir ao regresso de Passos Coelho à política ativa?

É pública a minha admiração por Pedro Passos Coelho, um verdadeiro estadista e um homem que dignifica a política. Ele tem currículo político ao contrário de outros que têm cadastro político. No dia que decidir regressar à política ativa é Portugal que fica a ganhar, mas creio que o país não está preparado para isso.

Porquê?

Não basta ganhar um partido. É preciso conquistar Portugal. Rui Rio é também um homem fora da caixa, anti-sistema e de uma determinação implacável. Estou certo que irá surpreender a curto trecho, primeiro nas autárquicas e depois nas legislativas. 

Acha que este Governo vai cumprir a legislatura até ao fim? 

Não acredito que o Governo cumpra a legislatura até ao fim, até porque a crise económica e social vai agonizar ainda mais as relações à esquerda. Um país falido e com os parceiros do Governo a exigir mais prestações sociais e subsídios, tem tudo para correr mal. Em Portugal há uma pirâmide social e económica invertida, o que leva à falência do Estado e do elevador social. Em períodos de crise acentua-se este desequilíbrio. Em Portugal, dois milhões e meio são jovens até aos 24 anos, três  milhões e 600 mil são reformados e pensionistas, 800 mil são funcionários públicos, 900 mil são desempregados e 270 mil são beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido. Quem alimenta este país são dois milhões de portugueses. São estes que arriscam, que tem iniciativa, que não vivem à custa do Estado e que são os ventiladores para uma dita burguesia dos direitos adquiridos. Dá que pensar. 

Vai deixar a liderança da Juventude Popular no congresso marcado para o próximo fim de semana. As juventudes partidárias têm perdido peso na vida política?

Depende dos seus líderes. As juventudes partidárias, mais do que abanar bandeiras devem abanar ideias. Mas há riscos iminentes, sobretudo o risco do centralismo bacoco, quando se procura ver o país a partir de Lisboa e não Lisboa através do país.  Assim como a histeria da política digital, relegando para segundo plano o contacto com o país real. Atualmente, mesmo que de forma legitima, a participação política está centrada no digital e na bolha da rede. O país não precisa de “influenceres”, mas de políticos com visão e ação. 

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