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Disseminação da covid-19 em Portugal foi assente numa mutação oriunda de Itália

Disseminação da covid-19 em Portugal foi assente numa mutação oriunda de Itália

Pool/Lusa jornal i 28/09/2020 15:05

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, a covid-19 chegou a Portugal "muito antes" dos primeiros casos serem diagnosticados. 

A conferência de imprensa das autoridades de saúde desta segunda-feira, sobre o balanço diário da situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, contou com a presença da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, do secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, e com João Paulo Gomes do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). Foram abordados vários assuntos, como o aumento diário do número de casos de covid-19 no país, os surtos nos lares de idosos e nas escolas.

O secretário de Estado da Saúde começou por dizer que "97% dos casos ativos" estão a cumprir isolamento no seu domicílio, logo, apresentam sintomas ligeiros da doença. António Sales anunciou ainda que a vacinação contra a gripe teve início esta segunda-feira e a primeira fase destina-se a profissionais de saúde e idosos residentes em lares.  "É a primeira vez que começa ainda em setembro", sublinha o governante. "Já entregámos 350 mil vacinas contra a gripe para a primeira fase. As pessoas vão sendo vacinadas, não são todas no mesmo dia. Centros de saúde organizam-se com os lares para vacinar utentes e profissionais", acrescentou ainda a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. 

De acordo com António Sales, as autoridades de saúde portuguesas já sabem como é que o coronavírus chegou a Portugal. "A disseminação do vírus em Portugal foi assente numa mutação oriunda de Itália, que gerou centenas de mortes, nomeadamente no norte do país", esclareceu o secretário da Saúde relatando o 'Estudo da diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal', um projeto de investigação coordenado pelo INSA, divulgado esta segunda-feira, que já estudou 1.785  sequências do genoma do novo coronavírus.  "A variante genética do vírus em Portugal - apelidado de D839Y - é proveniente da Lombardia, de Itália, e instalou-se em Portugal a 20 de fevereiro na regiões norte e centro, nomeadamente em zonas industriais. Essa variante genética praticamente que desapareceu", explicou ainda João Paulo Gomes do INSA. Os primeiros casos de covid-19 no país foram reportados em março mas não existe nenhuma relação entre estes casos e a D839Y, logo, segundo o investigador do INSA, a covid-19 chegou a Portugal "muito antes, não temos dúvidas".

A diretora-geral da Saúde abordou vários assuntos durante a conferência de imprensa, como os surtos ativos em hospitais, e disse que a maioria dos infetados são profissionais de saúde, garantindo que "estão a acompanhar de perto e a estudar "se já existem cadeias de transmissão para lá do meio hospitalar".

"Há um surto praticamente terminado em Guimarães, na Senhora dos Azeites, e teve oito doentes. Há outro surto em Paredes, com quatro casos. Temos um outro em Póvoa de Varzim, numa clínica. Há mais surtos em Vila Nova da Galé, no Hospital Sousa Martins, no Hospital de Leiria, no Hospital Garcia da Orta, numa clínica no Lumiar (Lisboa), na clínica São João de Ávila, no Hospital Egas Moniz e no Entroncamento", afirma Graça Freitas. 

Sobre a situação atual dos lares de idosos do país, a responsável afirma que há 51 casos ativos: 10 no norte, dois no centro, 33 em Lisboa e Vale do Tejo (LVT), três no Alentejo e três no Algarve. Em relação às escolas existem 12 focos de infeção: cinco no norte, uma no centro, seis em LVT. No Alentejo e no Algarve não existem registos de casos ativos em estabelecimentos de ensino.  Em relação aos tempos de espera passados ao ar livre, em espaços como centros de saúde, Graça Freitas admite que terão de ser encontrados "outros mecanismos" agora com a chegada do outono. 

 

 

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