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Guterres com reeleição tremida

Guterres com reeleição tremida

João Campos Rodrigues 26/09/2020 10:54

A um ano do fim do mandato, a reeleição do secretário-geral das Nações Unidas parece cada vez mais difícil. Até agora, só o egípcio Boutros-Ghali não foi reconduzido. A ONU está com dificuldades financeiras e os EUA não estão satisfeitos com os seus responsáveis, incluindo o português.  Mas as eleições americanas ainda podem mudar o cenário.

Tem sido um ano particularmente complicado para o secretário-geral das Nações Unidas, como António Guterres têm vindo a descobrir. Numa organização em que os EUA têm um peso enorme, com direito de veto no Conselho de Segurança, onde são os maiores contribuidores financeiros mas também os maiores devedores, o secretário-geral dá por si a ter de mediar um confronto cada vez mais acesso entre Washington e Pequim, com a pandemia como arma de arremesso.

Na celebração dos 75 anos da ONU, na terça-feira, Guterres não evitou criticar a direita populista, numa farpa dirigida a líderes como Donald Trump. Sendo certo que, dependendo do resultado das eleições norte-americanas, que são já a 3 de novembro, Guterres terá de lidar com um Presidente dos EUA mais (Joe Biden) ou menos (Trump) favorável.

«O populismo e o nacionalismo fracassaram. Essas abordagens para conter o vírus muitas vezes tornaram as coisas claramente piores», acusou Guterres. Ouvindo-o, é difícil não recordar que o seu mandato acaba para o ano. E que, apesar de praticamente todos os secretários-gerais da ONU terem sido reeleitos, há precedente para um veto dos EUA: foi esse o caso do egípcio Boutros Boutros-Ghali, em 1996.

«Se uma vitória de Joe Biden, trará um Presidente dos EUA mais simpático  com a lógica multilateral e global das Nações Unidas e para o seu secretário-geral, isso não significa que os EUA com Donald Trump queiram adotar uma atitude extrema», acautela José Teixeira Fernandes, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-NOVA), num comentário para o SOL, lembrando que Guterres «é oriundo de um país europeu/ocidental, o qual é um país amigo e tradicionalmente próximo dos EUA».

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