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Traída e enfraquecida: a reação da Palestina

Traída e enfraquecida: a reação da Palestina

AFP jornal i 16/08/2020 11:33

Entendimento quebrou ‘a posição consensual árabe’ a troco de nada, acusam palestinianos.

Os dirigentes palestinianos rejeitaram o acordo entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e condenaram a atuação destes últimos, com quem possuíam uma ligação para a luta pela independência deste povo. «Trata-se de uma traição a Jerusalém e à causa palestiniana», acusou num comunicado a Autoridade Palestiniana, presidida por Mahmud Abbas, que apelou à organização de uma «reunião de emergência» da Liga Árabe, para denunciar o acordo de normalização.
«A liderança palestina rejeita e condena veementemente a surpreendente declaração dos Estados Unidos, Israel e Emirados Árabes Unidos sobre a normalização das relações», explicou o porta-voz da Autoridade Palestina, Nabil Abu Rudeina, que acrescentou que esta decisão ocorreu devido à insistência de Israel em consagrar a ocupação da Palestina.
Pouco depois do Acordo de Abraão ter sido anunciado, segundo um comunicado enviado à agência France-Presse, o chefe da diplomacia palestiniana, Riyad Al-Maliki, «decidiu chamar imediatamente o seu embaixador nos Emirados Árabes Unidos na sequência do acordo», a pedido de Abbas.

«Espero que nunca tenham de experienciar a agonia de ter o vosso país roubado; espero que nunca sintam a dificuldade de viver em cativeiro durante uma ocupação; que nunca observem a demolição das vossas casas ou o assassínio dos vossos entes queridos. Espero que nunca sejam traídos pelos vossos ‘amigos’», escreveu a política palestina Hanan Ashrawi na sua conta de Twitter.

O que acontece à Palestina?
Diversos especialistas temem que este acordo possa normalizar os laços diplomáticos da comunidade internacional com Israel e que, por isso, a ocupação do território palestiniano seja cada vez menos condenada.

«Com este acordo, foi sinalizado que Israel pode permanecer como um ocupador, fechando a possibilidade da autodeterminação da Palestina e ainda ganhar aceitação regional», escreveu no Guardian Jonathan Freedland, jornalista e líder sionista do Reino Unido. O entendimento irá «oferecer o selo de aprovação árabe», considera.

Yousef Munayyer, um analista palestiniano, citado pelo Washington Post, afirma que a posição dos Emirados Árabes é dizer que «estão a quebrar a posição consensual árabe», ainda para mais a troco de «nada». «Estão a oferecer a normalização – não em troca de um acordo de paz com os palestinianos de acordo com a lei internacional – mas por nada», disse.

Revolta
Centenas de palestinianos reuniram-se sexta-feira em Gaza e na Cisjordânia para mostrar que estão contra o acordo e a normalização das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.

«A Palestina não está à venda», «Não à normalização e não aos que conduzem a normalização com a ocupação», foram alguns dos gritos entoados pelos manifestantes.

Nas cidades de Nablus e Hebron foram convocados protestos contra o acordo. Já em Jerusalém, os cidadãos queimaram bandeiras com a cara de Mohamed bin Zayed, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, que tinham escrita a palavra «traidor».

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