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Festa do Avante!. PCP nega que realize rentrée por motivos financeiros

Festa do Avante!. PCP nega que realize rentrée por motivos financeiros

João Porfírio Cristina Rita 11/08/2020 08:15

Governo lembra que Direção-Geral da Saúde só toma decisões “técnicas”. Reuniões com o partido já arrancaram.

Falta menos de um mês para a tradicional rentrée do PCP, a Festa do Avante!, na Quinta da Atalaia, no Seixal (4 a 6 de setembro). A realização da festa tem feito correr muita tinta e, ontem, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, quis esclarecer que a Direção-Geral da Saúde “não toma decisões políticas, toma decisões técnicas”. Este esclarecimento foi feito durante mais um balanço dos casos de covid-19. Ficou claro também que as reuniões preparatórias para a realização da festa, entre DGS e o PCP, arrancaram ontem formalmente, ainda que já tenham sido feitos contactos prévios. 

Para António Lacerda Sales, a “entidade promotora” do evento, leia-se o PCP, irá cumprir o que for determinado pela DGS num trabalho “técnico exaustivo e progressivo”.

Na véspera, no domingo, o deputado comunista António Filipe decidiu abordar o assunto do momento na rede social Facebook. 

“Tenho para mim, porque conheço razoavelmente a direção do PCP, que as preocupações de segurança sanitária nunca estiveram ausentes da ponderação sobre a realização da Festa. Basta verificar que as iniciativas realizadas pelo PCP têm tido esse cuidado. Ao contrário de outras manifestações e ajuntamentos que não vejo a comunicação social de serviço criticar. Aliás, é público que o PCP tem estado em contacto com a DG da Saúde para que nada seja descurado”, escreveu o deputado. Depois surgem duas explicações importantes. Primeiro, a questão financeira, dado que há venda de bilhetes para a Festa do Avante!, a chamada EP (entrada permanente): “Quem pensar que o PCP quer realizar a Festa por razões financeiras conhece muito mal o PCP”, atirou António Filipe. 

Segundo, o deputado comunista tenta esvaziar a polémica dos números, a lotação máxima de 100 mil pessoas.” O PCP nunca disse que ia ter 100 mil pessoas na Festa. O que disse foi que a área disponível permite acolher esse número de pessoas em segurança, o que é bem diferente”. Contudo, Alexandre Araújo, membro do secretariado do comité central do PCP, não adiantou números certos de bilhetes vendidos ou qual será a limitação máxima de capacidade para a Festa do Avante!, que se divide em três dias de atividades culturais e políticas. 

António Filipe advogou ainda que “também não é verdade que os festivais estejam proibidos. Eles podem ser feitos desde que sejam cumpridas as regras impostas pela DGS. Que os promotores não queiram assumir essa responsabilidade, é problema deles. Não venham é acusar o PCP de querer exceções. Até por que, como é notório, há festivais a serem realizados”, atirou o parlamentar no mesmo comentário, partilhado por vários elementos do PCP nas redes sociais. António Filipe recusou qualquer irresponsabilidade do PCP e sublinhou a sua coragem: “Há quem diga que o PCP vai pagar caro por realizar a Festa. Pois vai. Mas não é por ser este ano. Ê por realizar a Festa todos os anos. É por existir e defender os direitos dos trabalhadores. O PCP paga sempre muito caro o facto de existir e de não desistir de existir e ser o que é. Compete-nos a nós, comunistas e outros democratas, não alimentar o coro desses credores”. Mas o assunto ainda deverá continuar a dominar o debate, sobretudo porque vários partidos cancelaram rentrées ou comícios.

Mendes atira-se ao PCP Quem não se conforma com todo este processo é o comentador televisivo Marques Mendes. O também antigo líder do PSD e atual conselheiro de Estado usou alguns minutos do seu comentário dominical na SIC para criticar a realização da festa e a atitude das autoridades. “Acho que no atual estado da pandemia, da saúde pública e com os problemas que temos pela frente, a realização da Festa do Avante! é uma decisão inacreditável”, afirmou Marques Mendes no domingo à noite.

Mais: o comentador considerou ainda inacreditável que “por um lado, o Partido Comunista Português teime e insista em fazer a Festa do Avante! nos moldes tradicionais. Segundo, é inacreditável que o Governo e a Direção-Geral da Saúde se preparem para, mais dia menos dia, autorizarem a realização”. 

Por fim, recordou que os comunistas deveriam dar o exemplo, como partido institucional que são: “O PCP, como partido responsável que é, devia ser o primeiro interessado em dar o exemplo de não fazer realizações que podem contribuir para agravar o risco de novos contágios e, portanto, o risco até de uma segunda vaga”, argumentou, de forma mais dura. E Mendes voltou a explorar o critério da dualidade nas decisões já utilizado por outras forças políticas, designadamente o CDS. “Como é que o mesmo Governo que proibiu os festivais de música no verão por razões de saúde pública vai agora autorizar um festival de música em setembro só que é organizado pelo Partido Comunista?”Também nas redes sociais, o deputado do PCP António Filipe respondeu com ironia: “Estou destroçado. Tinha tanta esperança de vender uma EP ao Marques Mendes”.

Entretanto, os deputados do PSD Nuno Carvalho, Fernando Negrão, Fernanda Velez e Rui Cristina enviaram uma pergunta à ministra da Saúde, Marta Temido, para saber quais os critérios a aplicar na autorização da Festa do Avante!: “ Eventos com licença até 100 mil pessoas. Que critérios permitem a sua realização? São esses critérios aplicáveis a todos de forma igual?” Foi desta forma que o deputado Nuno Carvalho, do PSD, anunciou a pergunta submetida ontem no Parlamento.

 Ao i, o deputado do PSD deixa mais uma farpa: “António Costa pediu a esquerda em casamento no debate do Estado da Nação e o Avante! é a festa de despedida de solteiro”.

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