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Deixem os Discos Girar #4. III dos Evols
Evols

Deixem os Discos Girar #4. III dos Evols

Evols Vitor Santos Hugo Geada 14/04/2020 18:50

Cinco anos depois do seu último disco, os portuenses Evols estão de regresso com um álbum do fiel e velho conhecido rock 'n' roll, mas com uma atitude nova e mais madura. 

Formados em 2008 por França Gomes, Carlos Lobo e Vitor Santos, os Evols, agora com Rafael Ferreira (Glockenwise) e os reforços André Simão (Dear Telephone, Sensible Soccers), na bateria, e Sergio Bastos (S. Pedro e Space Ensemble), nos sintetizadores, lançam o seu terceiro disco, III.

Tal como o simples e direto nome do disco, as suas músicas também transmitem esta sensação, o bom, velho e fíel rock 'n' roll está bem presente.

Este novo trabalho da banda revela uma maior maturidade refletida não só na produção, mas também no produto final, onde são invocadas influências de Allen Ginsberg, nas letras, de músicos como o português Rão Kyao ou de bandas como My Bloody Valentine ou Spacemen 3. Mas deixemos a banda explicá-lo pelas suas próprias palavras.

O contexto:

Quando começamos a gravar um disco novo, nunca temos a certeza quantas canções vão sobreviver. Estas são as que sobreviveram. É um período de muitas incertezas e angústias mas é também um período fértil de ideias, da solidificação do espírito da banda, em que percebemos que estamos todos no mesmo barco sem destino certo. Nesse sentido, o disco III é um desses portos possíveis. Agora é tempo de desfrutar dessa viagem.

Color

Beats hip-hop, riffs rock e um solo de guitarra a lembrar Rão Kyao. Uma espécie de libertação interior e o efeito avassalador que isso pode ter na nossa perceção do mundo que nos rodeia. Um triângulo infernal entre Filadélfia, Heston e Moscavide.

Cops

Este tema fala de cidades pequenas com mentalidades fechadas. Nasceu da experimentação de uma série de efeitos sonoros e colagens. É o tema mais complexo de tocar ao vivo.

White Lady

Uma poeira sonora, uma viagem imersiva sobre um ser mitológico que muitas vezes parece real.
Esta música é uma versão redux de um tema mais experimental e é também a mais longa do álbum. Começa com uma falsificação de guitarra de 12 cordas em ácidos, acordes à Keef e um final com fuzz no máximo (volume 11, aquele que fica depois do 10).

Old Town

Este é o tema com maior reminiscência dos discos anteriores, a melodia resulta de uma composição mais clássica. Curiosamente, logo na primeira sessão de gravação, Old Town foi incorporada no alinhamento do disco.
Foi também a primeira aparição do nosso órgão ressuscitado, avariado há décadas, um Vox Continental Super II. A letra é uma versão livre de um poema do Allen Ginsberg onde se fala de um ambiente citadino em decadência.

Father Death

Foi com este tema que o caminho sonoro da banda mudou, influenciando o som de músicas como a Cops e 3H30AM. Baterias muito presentes e guitarras sintetizadas. A letra é um delicado e pungente poema de Allen Ginsberg sobre a morte do seu pai.

Shadows of Death 

Foi um dos primeiros temas a ser composto para o álbum. É sobre um junkie a falar de si próprio e do seu modo de vida. A música desenvolve-se num crescendo, num solo e termina numa harmonia a duas guitarras fazendo lembrar os solos carregados de sentimento e nostalgia dos anos 80. 

3H30AM

Uma das músicas mais sombrias do álbum. Uma letra de Sam Sheppard, acompanhada por uma linha de guitarra minimal que termina num loop errático que certamente terá um final inesperado quando o tocarmos ao vivo.

Jungle

O tema mais punk e directo do disco. A descrição pode ser a seguinte: Fuzz com bateria a 160bpm, parte calma para levantar o isqueiro, mais fuzz e solo no final. Fala sobre uma experiência negativa num bar qualquer, daquelas noites que parece não ter fim...

Fighting over it

A letra fala sobre lutar contra estereótipos e fugir de lugares comuns com um toque de romantismo cheesy!
Toda a música está submersa num vocoder terminando num solo de guitarra majestoso (um pastiche). Na versão ao vivo, este tema termina com chamas em palco!

Train

Clássico rock com chapéu à cowboy, a meio toda a gente tira o chapéu, corta a barba e acaba a tocar um final à Beatles. A letra é sobre a sensação de estarmos perdidos, sem destino certo. Uma reflexão sobre os tempos que vivemos.

 

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