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Belém. Já chega ou André Ventura também vai às presidenciais?

Belém. Já chega ou André Ventura também vai às presidenciais?

Mafalda Gomes Joana Marques Alves 15/01/2020 16:02

Candidatura não é consensual dentro do Chega. Ventura decide em fevereiro, mas garante que tem de ser alguém “preparado” para enfrentar o atual Presidente. “Não queremos alguém que vá tomar chá com Marcelo”, diz.

“O candidato apoiado pelo Chega nas eleições presidenciais tem de não só encarnar os valores do partido, mas também estar preparado para um confronto com Marcelo Rebelo de Sousa. Nós não queremos alguém que participe numa espécie de tertúlia ou numa conversa de chá com Marcelo”. André Ventura sabe o que quer para o partido e mostra-se preparado para enfrentar um dos Presidentes da República mais populares de sempre em Portugal. Mas será que tem arcaboiço para isso? Ou uma candidatura presidencial traria mais problemas do que benefícios para o partido? O conselho nacional discutiu as presidenciais no último sábado e a candidatura de Ventura não é consensual. Uma coisa é certa: o que o líder decidir será acatado por todos.

Ventura tinha remetido para fevereiro a decisão de se candidatar à Presidência da República, mas o assunto já começou a ser discutido. No conselho nacional do partido, que se realizou no fim de semana passado, na Nazaré, ficou claro que nem todos estão de acordo com a escolha do deputado único do Chega para as eleições que se avizinham.

“Por um lado, há quem tema que este avanço possa desviar o foco e a intensidade do trabalho parlamentar que estamos a desenvolver e que o esforço e o desgaste que uma campanha longa e muito unipessoal possam ter impacto durante o resto do ano. Por outro, há quem pense que uma candidatura presidencial mostraria coerência com o nosso programa – em que defendemos o presidencialismo – e ajudaria a alavancar o partido para as eleições autárquicas, que são no mesmo ano”, explicou ao i André Ventura. O deputado voltou a dizer que só em fevereiro anunciará a sua posição sobre este assunto, mas que terá em conta todas as opiniões, e não afasta outras hipóteses, como uma candidatura do juiz Carlos Alexandre.

“Ventura é o líder da direita” Diogo Pacheco de Amorim, vice-presidente do Chega e o ideólogo do partido, diz que o uso do termo “divisão” é exagerado. “Uns têm uma clara preferência pela candidatura do André Ventura, outros preferem que ele não se candidate, tendo todos sido unânimes em dizer que apoiarão a 100% aquela que for a posição assumida por Ventura e pela direção do partido”, explicou ao i.

Pacheco de Amorim defende que o deputado devia ser o candidato apoiado pelo partido não só pela sua elevada “taxa de notoriedade”, mas também pelas suas capacidades: “André Ventura é mais do que o líder do Chega. Neste momento, é o líder da direita em Portugal. E, como tal, tem responsabilidades acrescidas – uma delas é marcar presença [nas eleições presidenciais]. É a única pessoa em Portugal que consegue fazer frente a Marcelo. É evidente que [se Marcelo se recandidatar] não vai ganhar as eleições, mas vai marcar uma posição clara e julgo que obterá até um resultado mais que satisfatório”, diz ao i.

Acumular funções Mas há quem defenda que o candidato apoiado pelo Chega deva ser uma figura que não esteja diretamente ligada à política. “Era melhor um militar ou juiz, até para mudarmos um bocado o sistema – desde Ramalho Eanes, nunca mais houve um militar [na Presidência da República]”, defende José Dias, presidente do Sindicato do Pessoal Técnico da PSP (SPT/PSP) e vice-presidente do Chega.

O dirigente do partido acredita que, se tivesse havido uma votação, “o número de pessoas contra o avanço de Ventura era superior” aos que apoiam esta ideia. “O sonho dele é daqui a oito anos ser primeiro-ministro, foi o próprio líder que disse. Agora suponha que ele se candidata a Presidente, que Marcelo não se candidata, e que ele ganha. O seu sonho de ser primeiro-ministro vai ao ar”, diz ao i.

Outro dos problemas apontados por quem está contra o avanço de Ventura é a dificuldade de conseguir conciliar a campanha e o trabalho enquanto deputado da Assembleia da República (AR). Para Pacheco de Amorim, esse é um “falso problema”: “André Ventura não precisa de suspender o seu mandato na AR por mais de três semanas, que é o período da campanha eleitoral. A pré-campanha não é muito pesada e dá perfeitamente para acumular com os trabalhos parlamentares”, defende.

One-Man Show? Há ainda outra questão: a personificação do partido. João Tilly, representante do Chega e cabeça-de-lista em Viseu, não tem dúvidas de que Ventura é a melhor pessoa para fazer frente a Marcelo – “nunca teremos nem no Chega nem nos outros partidos um parlamentar como ele”, defende, mas alerta para o risco de o eleitorado começar a olhar para o partido como um one-man show. “As pessoas vão começar a questionar o porquê de André Ventura concorrer a tudo. O partido tem de formar quadros que estejam disponíveis para as várias candidaturas e as várias iniciativas em que temos de participar. Essas pessoas têm de começar a aparecer, para não passar a imagem de que isto é um partido centrado numa só pessoa”, explica ao i.

O problema, como o próprio Tilly admite, é que a maior parte das pessoas não fazem ideia de quem são os restantes membros do partido. “Este é um partido com muita gente mas, fruto da sua exposição mediática e da sua genialidade em termos de comunicação, as pessoas só conhecem André Ventura. Se eu lhe disser dois ou três nomes, não sabe quem são. E ninguém sabe. Há muita gente na sombra”, diz o dirigente do Chega, que apoia Ventura numa corrida às presidenciais.

Aliás, uma coisa é certa: mesmo quem não gosta da ideia irá apoiar André Ventura caso este decida concorrer, como explica José Dias: “Esta é uma decisão pessoal do líder. A decisão que ele tomar vou ter de apoiar, estou sempre com ele”.

 

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