1/10/20
 
 
José Cabrita Saraiva 13/01/2020
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

Um partido em que ninguém confia em ninguém

O PSD parece mesmo não ter remédio. Em vez de os militantes se mobilizarem para contribuírem com alguma coisa de positivo para o país (e o país bem precisa), consomem-se em quezílias, intrigas e guerras internas.

14 de janeiro de 2018 – Rui Rio é eleito presidente do PSD. 18 de janeiro de 2019 – Rui Rio é obrigado a ir outra vez a votos, numa moção de confiança no Conselho Nacional que acaba por confirmá-lo na liderança, com 60% dos votos. 11 de janeiro de 2020 – Rui Rio vence as diretas (a terceira vitória em dois anos) mas fica a meio ponto percentual de evitar a segunda volta. E a saga ainda não terminou.

O PSD parece mesmo não ter remédio. Em vez de os militantes se mobilizarem para contribuírem com alguma coisa de positivo para o país (e o país bem precisa), consomem-se em quezílias e guerras internas que só servem para se desgastarem inutilmente. A verdade é que os críticos do atual líder, que tanto se queixam de Rio não ser eficaz na oposição ao Governo, não lhe dão um minuto de tréguas. Querem que Rio produza mais oposição, mas obrigam-no a estar constantemente vigilante.

Pior só mesmo o Sporting, cujo presidente é alvo de contestação permanente.

Mas além de isto obrigar o líder a perder demasiado tempo a olhar para dentro do partido, a defender-se de ataques e a reunir apoios, há outro aspeto a ter em conta. Como não será difícil perceber, com tanta luta, lavagem de roupa suja e troca de argumentos, os sociais-democratas dão uma triste imagem de si mesmos.

Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais e apoiante de Miguel Pinto Luz, por exemplo, assumiu como grande objetivo das diretas no PSD afastar Rui Rio da liderança. Carreiras alega que Rio não gosta do partido – e terá alguma razão. Mas muita gente no partido também não gosta do líder e faz-lhe a vida negra. A mensagem que passa para o exterior é que, no fundo, há um partido em conflito consigo mesmo, um partido onde ninguém confia em ninguém. E um partido assim não merece a confiança dos portugueses.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×