21/11/19
 
 
José António Saraiva 21/10/2019
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Sporting dividido em três

De facto, ao despedir José Peseiro, primeiro, e ao dispensar Marcel Keizer, depois, Frederico Varandas criou a ideia de que a equipa podia fazer muito mais, só que estava mal orientada. Ou seja, enganou duas vezes os sócios. E ao prometer-lhes o que não era razoável, Varandas cavou a sua própria sepultura – estando agora a pagar as disparatadas expectativas que criou.

Neste momento, o Sporting não está dividido ao meio – está dividido em três.

De um lado, os apoiantes de Frederico Varandas, que são cada vez menos.

De outro lado, os apoiantes de Bruno de Carvalho.

Finalmente, os apoiantes dos candidatos derrotados, sobretudo João Benedito e José Maria Ricciardi, que são cada vez mais.

Diga-se que só os primeiros querem hoje que o Sporting ganhe; os outros fazem figas para que perca, para haver eleições ou para ficar claro que Bruno de Carvalho é que era bom.

Acontece que os apoiantes de Bruno de Carvalho deveriam estar calados. Por duas ordens de razões: porque foi ele que se suicidou, ao enveredar por um caminho sem saída, e porque é ele o principal responsável pelo estado a que o clube chegou. E não se vai levantar tão cedo. A nível emocional, a nível financeiro, a nível desportivo o Sporting está de rastos – e o descalabro foi sobretudo provocado por Bruno de Carvalho. Por isso, os seus apoiantes deviam ter hoje vergonha de aparecer à luz do dia. Deviam esconder-se.

Mas aqui começam as culpas de Frederico Varandas.

Tendo em conta o estado em que herdou o clube, o actual presidente devia ter exposto claramente a situação aos sócios e não dar-lhes a ilusão de que o Sporting estava bem e recomendava-se, a ponto de poder lutar pelo título de campeão.

De facto, ao despedir José Peseiro, primeiro, e ao dispensar Marcel Keizer, depois, Frederico Varandas criou a ideia de que a equipa podia fazer muito mais, só que estava mal orientada. Ou seja, enganou duas vezes os sócios. E ao prometer-lhes o que não era razoável, Varandas cavou a sua própria sepultura – estando agora a pagar as disparatadas expectativas que criou.

Quanto aos apoiantes de Benedito e Ricciardi, são apesar de tudo os que podem falar com mais à-vontade. Não lançaram o clube no caos nem foram responsáveis pelas más decisões deste último ano. Têm as mãos limpas.

E têm um futuro à frente, pois mais tarde ou mais cedo vai haver eleições, já que não é expectável que a equipa principal comece de um momento para o outro a ganhar tudo – e por cada derrota haverá mais lenços brancos em Alvalade. Assim, Benedito e Ricciardi terão em breve a oportunidade de se candidatar de novo.

Resta-me acrescentar que a sorte do Sporting é que ganhe o ex-banqueiro. Porque o momento é tão grave que não se compadece com boas vontades ou voluntarismos.

O Sporting vai lutar pela sobrevivência – e isso exige maturidade, personalidade forte e experiência da vida. Ora, nesse aspeto, o mais preparado é José Maria Ricciardi. Oxalá na altura em que Varandas cair ele ainda esteja interessado em pegar nos destinos do clube. Caso contrário, o futuro será negro.

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