13/11/19
 
 
José Cabrita Saraiva 01/10/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Os “burros” do Sporting e o “rigor” de Varandas

Há coisa de uma semana, a direção do clube decidiu aumentar substancialmente os salários dos administradores da SAD. O próprio Varandas veria a sua remuneração subir de 188 mil para 273 mil euros anuais. Isto só não foi para a frente porque um grupo de acionistas contestou a decisão e – fosse por pudor, fosse por prudência – os gestores “abdicaram” do aumento.

O Sporting Clube de Portugal vive um momento particularmente delicado da sua história. Não vence a principal competição nacional há demasiados anos para uma equipa do seu nível e o estatuto de “grande” do futebol português começa a ficar ameaçado. Em poucas semanas, a equipa de futebol teve no comando três treinadores diferentes e a instabilidade deve tornar o ambiente interno dificilmente respirável.

Antes da partida de ontem à noite, nos últimos cinco jogos somava quatro derrotas e um empate. Foi neste contexto pouco brilhante que o presidente do clube, Frederico Varandas, deu uma entrevista à SIC para tentar travar a contestação. Compreende-se que Varandas não pudesse aparecer cabisbaixo e tristonho, mas a sua postura algo emproada, de quem vem dar lições, também é pouco adequada ao momento que o clube (e ele próprio) atravessa.

Desta entrevista retive duas passagens. Na primeira delas, o dirigente falava das “minorias que preferem o caos e outros dividir para reinar”, chamando-lhes “burros” – quando ele próprio tem contribuído e de que maneira para a falta de estabilidade. Na segunda, declarava que o “Sporting é um clube com rigor, muito melhor financeiramente do que há um ano”.

Esta referência ao “rigor” merece um comentário. É que, há coisa de uma semana, a direção do clube decidiu aumentar substancialmente os salários dos administradores da SAD. O próprio Varandas veria a sua remuneração subir de 188 mil para 273 mil euros anuais. Isto só não foi para a frente porque um grupo de acionistas contestou a decisão e – fosse por pudor, fosse por prudência – os gestores “abdicaram” do aumento.

Que os administradores tenham decidido em causa própria já seria motivo de estranheza. Que isso se passasse numa altura em que o passivo da SAD atingiu o maior valor de sempre só piorava as coisas. E os resultados desportivos recentes da equipa de futebol tornavam o aumento simplesmente escandaloso. Como é que Varandas ainda pode falar de rigor?

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