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Milionária de Abu Dhabi espera por visto gold há dois anos

Milionária de Abu Dhabi espera por visto gold há dois anos

Joana Marques Alves 17/09/2019 11:51

Miray Zaki investiu num fundo de apoio a pequenas e médias empresas em 2017. Já veio este ano a Portugal fornecer as impressões digitais, mas continua sem resposta por parte do SEF.

Desde o final de 2017 que Miray Zaki, uma das mulheres mais influentes do mundo da finança, espera por um visto gold – uma autorização de residência concedida pelas autoridades portuguesas, mediante a realização de investimento em território nacional. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) já entrou em contacto com a empresária, mas ainda não deu qualquer resposta.

Miray Zaki – que é atualmente a responsável financeira da fundação criada pelo falecido xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, o principal arquiteto dos sete Emirados Árabes Unidos, antigo governante de Abu Dhabi e presidente da união de emirados durante mais de 30 anos – começou a investir em Portugal. “Investi num fundo focado no financiamento de pequenas e médias empresas em Portugal e candidatei-me imediatamente a um visto gold, através do meu advogado”, explica a milionária num e-mail dirigido ao SEF, a que o i teve acesso.

“Escolhi este caminho porque, dado o meu currículo, fazia mais sentido investir no crescimento económico ajudando pequenas empresas, em vez de apostar no imobiliário, que iria inflacionar de forma artificial os preços, fazendo com que os portugueses não conseguissem comprar propriedades nas principais cidades do país”, diz a empresária, que durante dez anos foi uma das principais responsáveis do Abu Dhabi Investment Authority (ADIA), um fundo soberano gerido pelo Governo de Abu Dhabi.

Segundo Miray Zaki, em dezembro de 2018, o SEF pediu que se dirigisse a Portugal para fornecer os seus dados biométricos: “O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) informa-o(a) que tem um agendamento para comparecer em Delegação de Santarém, situado em Edifício do Governo Civil de Santarém no dia 16 de janeiro de 2019”, refere a mensagem a que o i teve acesso.

“Estive 17 dias em Portugal, entre Lisboa, Fátima, Coimbra, Porto, Sintra e Santarém. A 16 de janeiro [de 2019], eu e o meu advogado fomos a Santarém para dar as minhas impressões digitais”, explica a empresária de 36 anos. “Infelizmente, até hoje, nem eu nem o meu advogado recebemos quaisquer novidades sobre este caso”, acrescenta Miray Zaki, que é também cofundadora da companhia aérea de luxo privada norte-americana ZED Aerospace e foi considerada pelo Financial News uma das 100 mulheres mais influentes no mundo da finança nos anos de 2015 e 2016.

O i pediu esclarecimentos ao SEF, mas, até ao fecho desta edição, não obteve qualquer resposta.

 

Investimento triplicou

De acordo com os dados estatísticos do SEF, divulgados pela agência Lusa, o investimento captado através dos vistos gold mais do que triplicou em julho, face a igual período do ano passado.

Do total de investimento captado em julho, 82,2 milhões de euros correspondem à atribuição de ARI por via do requisito da aquisição de bens imóveis, enquanto os restantes 16 milhões de euros resultam da concessão de visto mediante o critério de transferência de capitais. No mês passado foram atribuídos 155 vistos, dos quais 141 resultantes da compra de bens imóveis e 14 por via da transferência de capitais.

A China lidera a atribuição de vistos (4.331), seguida do Brasil (801), Turquia (353), África do Sul (303) e Rússia (269).

 

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