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"Já toda gente sabia que isto ia acontecer" afirma membro da Quercus sobre abate de sobreiros

"Já toda gente sabia que isto ia acontecer" afirma membro da Quercus sobre abate de sobreiros

DR Jornal i 28/08/2019 17:49

Ambientalistas falam de obra “desnecessária” e situação “lamentável”.

Mais de mil sobreiros serão abatidos pela Iberdrola depois de o Governo ter declarado como de “imprescindível utilidade pública” as barragens do Alto Tâmega e Daivões, duas das três que compõem o Sistema Eletroprodutor do Tâmega. Quercus considera situação “lamentável” e que as barreiras artificiais são “desnecessárias.”

No total, são 1145 sobreiros que serão abatidos para construir estas duas barragens no Tâmega. Desses, cerca de 40% são exemplares adultos, correspondendo a 444 sobreiros adultos. Os restantes 701, são jovens. A eléctrica espanhola solicitou o abate desta área que corresponde a cerca de 15,07 hectares de povoamento, localizados nas áreas inundáveis das barragens de Daivões e Alto Tâmega.

Em declarações ao i, João Branco, membro da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, considera que mesmo este “número peca por ser baixo, porque há muitos mais sobreiros do que aqueles que estão a ser declarados. Há imensos sobreiros pequenos e jovens que não estão contabilizados nas contas deste abate.”

O ambientalista refere que “já toda gente sabia que isto ia acontecer desde o início”, visto que os sobreiros estão na área inundável. Contudo, considera “lamentável que um dos ecossistemas mais importantes de Portugal, que é o Vale do Tâmega, vá ser abatido.”

João Branco reforça a importância desta floresta, tanto ao nível económico com a produção de cortiça, como ao nível ambiental, por ali se “refugiar fauna e flora muito importante no nosso país.”

 “A destruição da floresta neste momento não é só na Amazónia, também acontece em Portugal. Obviamente não podemos comparar as duas situações, mas proporcionalmente estas florestas que vão ser destruídas pela construção das barragens são tão importantes como a floresta da Amazónia”, refere o membro da Quercus. João Branco considera a construção destas barragens “desnecessária”, visto que “elas não estão a funcionar e não falta luz em Portugal.”

Apesar do abate destes cerca de 15 hectares, a Iberdrola tem em curso um projecto de compensação aprovado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que contempla a replantação de sobreiros em 42,3 hectares nos perímetros florestais do Barroso e de Cabreira.

Contudo, João Branco afirma que estas “não querem dizer nada”. Isso também aconteceu com a barragem do Tua, foram plantados alguns sobreiros, que acabaram por arder e não foram substituídos, e na Barragem do Sabor também estavam previstas medidas de compensação, muitas das quais ainda hoje não foram implementadas.”

Esta não é já a primeira vez que a Iberdrola foi autorizada a realizar este tipo de abate. Em 2016 a companhia eléctrica foi autorizada a abater 608 sobreiros para construir a barragem de Gouvães.

Este complexo hidroeléctrico, composto por três centrais, representa o maior investimento energético em curso em Portugal. No total, serão investidos 1,5 mil milhões de euros pela Iberdrola. As obras estão previstas terminarem até 2023 e no total serão criados cerca de 13500 empregos directos e indirectos durante os trabalhos.

 

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