16/9/19
 
 
José Cabrita Saraiva 06/08/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Desde quando os jogadores têm de pedir desculpa aos adeptos?

Desconheço se Bruno Fernandes fez a sua declaração de livre e espontânea vontade ou se foi instruído por alguém. Mas a verdade é que ele seria talvez a última pessoa a ter de pedir desculpa pelo sucedido.

Na sequência da humilhante derrota na final da Supertaça, o capitão do Sporting, Bruno Fernandes veio a público pedir desculpa aos adeptos. O episódio trouxe à memória de muitos o mea culpa de João Pinto a seguir ao célebre 7-0 sofrido pelo Benfica frente ao Celta de Vigo, em 1999.

Desconheço se Bruno Fernandes fez a sua declaração de livre e espontânea vontade ou se foi instruído por alguém. Mas a verdade é que ele seria talvez a última pessoa a ter de pedir desculpa pelo sucedido.

Quem acompanhou o jogo pela televisão reparou certamente no seu esgar de dor enquanto coxeava - mesmo assim, pediu para continuar em campo, sacrificando-se para ajudar a equipa.

Ora, faz-me alguma confusão que alguém que dá o corpo ao manifesto, que se empenha ao máximo, tenha de prestar explicações perante adeptos que estão confortavelmente sentadinhos na bancada ou no sofá lá de casa a mandar uns palpites, com o comando da TV numa mão e uma cerveja na outra.

Bastaria um mínimo de racionalidade para perceber que não há ninguém mais empenhado em ganhar um desafio contra um clube rival do que os próprios jogadores - e Bruno Fernandes já o demonstrou vezes suficientes para não ter de se prestar a este triste papel de vir pedir desculpa.

Só que, de há uns anos para cá, criou-se esta ideia de que o adepto, tal como o cliente, tem sempre razão - e por isso pode “mandar vir” como bem lhe apetecer quando os resultados não são os esperados. Os jogadores, inversamente, são vistos como uma espécie de gladiadores pagos a peso de ouro que, além de “dar o litro”, têm de se sujeitar a todo o tipo de insultos e imprecações.

Não vejo as coisas assim. Os adeptos não têm de se armar em juízes e muito menos em justiceiros, como agora se arrogam logo à primeira contrariedade. É por essas e por outras que depois acontecem casos lamentáveis como o de Alcochete.

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