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Banco de Portugal aponta para saldo negativo na balança de bens e serviços

Banco de Portugal aponta para saldo negativo na balança de bens e serviços

Diana Tinoco Joana Marques Alves 12/06/2019 13:11

Boletim Económico foi divulgado esta quarta-feira

O Banco de Portugal (BdP) prevê para este ano uma subida do Produto Interno Bruto (PIB) igual a 1,7%, mantendo as projeções de março. No entanto, o regulador antecipa um crescimento do PIB de 1,6% para 2020, uma décima abaixo do que tinha sido previsto antes. Este cenário antecipa assim uma desaceleração da economia em relação a 2019.

Este é um dos pontos que consta do Boletim Económico do BdP, revelado esta quarta-feira.

Há apenas três meses, o regulador projetava um crescimento da economia tanto para este ano como para o próximo. Agora, o cenário previsto é de abrandamento – um cenário mais próximo daquele projetado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê um crescimento de 1,5% para 2020. Recorde-se que o Governo antecipa para esse ano, através do Programa de Estabilidade, um crescimento de 1,9%, igual à previsão para este ano.

“Nos próximos anos, a atividade económica em Portugal deverá continuar a beneficiar de um enquadramento económico e financeiro relativamente favorável. O crescimento da economia portuguesa deverá ser, em média, um pouco superior ao do conjunto da área do euro, mantendo o processo muito gradual de convergência real. Ainda assim, em 2021, estima-se que o PIB per capita português se situe em cerca de 60% da média da área do euro, valor ligeiramente inferior ao do início da união monetária”, refere o BdP em comunicado.

Mas a novidade está na balança comercial de bens e serviços, o regulador prevê que, tal como no ano anterior, esta apresente um saldo negativo do PIB. As previsões de março apontavam ainda para o excedente em 2019. “Tal como em 2018, o contributo da procura interna para o crescimento do PIB será superior ao contributo das exportações, o que se traduzirá num saldo negativo da balança de bens e serviços no horizonte de projeção”, refere a nota.

Recorde-se que 2011, ano em que Portugal pediu ajuda externa, foi o último ano em que se registou um saldo da balança comercial negativo de mais de seis mil milhões de euros.

Mas nem tudo é mau: o BdP prevê um crescimento das exportações superior ao que era indicado em março. Além disso, deverá registar-se também um aumento nas importações.

“As exportações de bens e serviços deverão crescer 3,6%, em média, ao longo do horizonte de projeção. Este crescimento é inferior ao observado nos últimos anos, refletindo a maturação do ciclo económico nos principais parceiros comerciais de Portugal e menores ganhos de quota em 2020-21. A evolução favorável das exportações de bens excluindo energéticos no primeiro trimestre foi extensível aos principais tipos de bens, destacando-se o aumento significativo das exportações de automóveis e, em menor grau, das exportações de produtos químicos”, lê-se no relatório do banco central.

“As importações de bens e serviços deverão registar um crescimento acentuado em 2019 (8,0%, que compara com 4,9% em 2018), num quadro de ligeira desaceleração da atividade económica. O dinamismo das importações no primeiro trimestre de 2019 está associado ao forte crescimento das importações de bens excluindo energéticos, extensível aos vários tipos de bens. Adicionalmente, o comportamento das importações de bens energéticos no primeiro trimestre poderá refletir alguma compensação de efeitos negativos que condicionaram a produção no setor energético nos primeiros meses do ano”, acrescenta o BdP.

No próximo ano, tanto nas exportações como nas importações, o BdP prevê um abrandamento.

Quanto ao investimento, o regulador acredita que este deverá continuar a recuperar: “Depois de um crescimento de 4,4% em 2018, a formação bruta de capital fixo (FBCF) registará aumentos anuais de 8,7%, 5,8% e 5,5% até 2021, ano em que o nível se deverá situar ainda abaixo do verificado antes da crise financeira internacional. Por seu turno, o investimento empresarial deverá atingir o nível pré-crise no final de 2019. Já o investimento público terá um crescimento significativo nos próximos anos, refletindo, em parte, o recebimento de fundos comunitários”, explica o BdP.

O consumo privado também deverá continuar a crescer, estando prevista uma subida de 2,6% para 2019. Nos últimos anos, o crescimento rondou os 2,4%. Este crescimento está associado a uma evolução do rendimento real das famílias, “resultante do crescimento do emprego e dos salários nominais, incluindo o salário mínimo, do avanço contido dos preços e das medidas orçamentais com impacto positivo no rendimento familiar”, refere o banco central. No entanto, as previsões indicam que o consumo privado deverá desacelerar já em 2020 e 2021, apresentando crescimentos na ordem dos 2% e 1,7%, respetivamente.

Outra boa notícia para os portugueses é que o emprego deverá continuar a aumentar: o regulador antecipa crescimentos de 1,3%, 0,8% e 0,4% até 2021. “A produtividade do trabalho deverá aumentar, resultado da recuperação do investimento empresarial e da melhor afetação dos recursos na economia portuguesa, no seguimento de um processo de reorientação para os setores mais expostos à concorrência internacional”, acrescenta o BdP.

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