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O futebol joga-se com a cabeça

O futebol joga-se com a cabeça

José António Saraiva 13/05/2019 09:38

Numa altura em que o campeonato parece entregue, interessa refletir sobre o futebol português. Nunca se tendo falado tanto de futebol como agora, dir-se-ia que ele está pujante e vigoroso. Mas não está: o futebol está doente.

Ouço muita gente dizer que já não acredita no futebol em Portugal, o que é estranho tendo em conta a introdução do VAR. Além disso, em termos de espetáculo, o campeonato português deixa muito a desejar. Isto mesmo pudemos confirmar esta semana nos dois jogos das meias-finais da Champions. Foram espetáculos soberbos! Em ambos houve a recuperação de 3 golos de atraso, com emoção a rodos até ao fim. 

Ficou aí claríssimo que o futebol não se joga só com os pés. Em termos de pés, de virtuosismo, o Barcelona é melhor do que o Liverpool. Mas em termos de cabeça o Liverpool revelou-se mais forte. Tendo perdido por 3-0 em Barcelona, o seu sonho dir-se-ia terminado. Restava-lhe resgatar em casa a honra do convento, ganhando o jogo, ainda que pela margem mínima.

Mas desde o início se percebeu que, embora sem alguns dos melhores jogadores, o Liverpool acreditava na qualificação. A enorme montanha de 3 golos que tinha à frente não era suficiente para o fazer desistir. Acreditou. Encheu a alma. E foi com ela que marcou uns inacreditáveis 4 golos ao Barcelona e não sofreu nenhum, vencendo a eliminatória.

Em Amesterdão sucedeu algo semelhante – mas ainda mais improvável. O Tottenham fora derrotado em casa pelo Ajax, tendo de ir ganhar à Holanda. Mas ao intervalo já estava a perder por 2-0, com um total de 0-3 na eliminatória.

Logo no início da 2ª parte, porém, toda a gente percebeu que as coisas não estavam resolvidas. Os jogadores ingleses acreditavam – e transmitiam essa força às bancadas e aos que os viam pela TV.

A certa altura, todos pressentiam que a eliminatória ia virar – até o Ajax! Que se assustou, sofreu 2 golos seguidos, e na última jogada do desafio sofreu o terceiro. Foi azar. Mas o Tottenham, pela sua crença, mereceu o prémio.

O futebol português precisa disto. De crença, de vitalidade, de emoção. Os jogadores não podem atirar-se para o chão a cada empurrão, os árbitros não podem marcar penáltis por tudo e por nada, os jogos não podem estar sempre a parar.

Uma palavra final para a resistência física. Estes dois jogos acabaram com um mito. O Barcelona não jogou no fim de semana com os mesmos jogadores para os ter frescos para este embate, enquanto o Liverpool não só jogou com os mesmos como teve um jogo dificílimo, em que perdeu o melhor avançado. Pois foi o Liverpool que se mostrou mais fresco.

Na Holanda, o campeonato parou para deixar o Ajax descansar, enquanto em Inglaterra o Tottenham não deixou de jogar. Pois foi este que atacou até ao fim, ganhando a eliminatória no último segundo!

Não são os pés nem o físico que ganham os jogos – é a cabeça.

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