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Polémica de um Governo 'demasiado familiar' já passou fronteiras

Polémica de um Governo 'demasiado familiar' já passou fronteiras

Diana Tinoco Joana Ludovice de Andrade 26/03/2019 14:00

El País fala em “endogamia política” e sublinha que fenómeno não é novo nem recente em Portugal.

As relações familiares no Executivo atual não fazem correr tinta só em Portugal, na vizinha Espanha, o El País dedicou, esta segunda-feira, uns milhares de carateres aos pais e filhos, maridos e mulheres que se sentam à mesma mesa do Conselho de Ministros.

“A endogamia política de um país pequeno com uma classe dirigente reduzida chegou ao extremo de se sentarem no mesmo Conselho de Ministros marido e mulher, pai e filha”, lê-se no artigo do jornal espanhol, que refere ainda que a situação “não é nova”.

O artigo foca-se muito no parentesco entre o ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, e a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva, que são pai e filha, e na relação entre o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, que são casados.

“Pela primeira vez na historia de Portugal sentam-se no Conselho de Ministros pai e filha, marido e mulher”. A frase é do líder da oposição Rui Rio, e remonta à altura da última remodelação governamental, mas o El Pais recuperou-a. E fez o mesmo com as declarações de Marques Mendes que falou numa “overdose de familiares” no Executivo liderado por António Costa.

Mas o jornal espanhol não se ficou por aqui, as nomeações polémicas mais recentes como a de Catarina Gamboa, mulher do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, chefe de gabinete do também ministro Duarte Cordeiro, cuja mulher Susana Ramos foi também ela escolhida pelo governo para dirigir o Fundo para a Inovação Social.

Sublinhe-se que o próprio Duarte Cordeiro voltou, esta terça-feira, a ser alvo de nova polémica com a nomeação de Pedro Anastácio, de 25 anos, filho do deputado do PS Fernando Anastácio, ex-vereador em Albufeira, e da juíza Maria Machado, para seu adjunto.

O líder da bancada socialista, Carlos César, também é referido no artigo, que sublinha o facto de o seu filho Francisco César desempenhar também o mesmo cargo na Assembleia Regional dos Açores.

Curiosamente foi também César quem no PS respondeu às críticas da líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que sobre os parentescos no Governo disse que “a democracia precisa de mais espaço para respirar”. O socialista acusou o BE - partido parceiro da gerigonça – de ser “abundante” em ligações familiares. Uma troca de galhardetes que foi também sublinhada pelo artigo espanhol.

Nem os irmãos Ana Catarina Mendes, número dois do PS, e António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, foram esquecidos.

O El País sublinha ainda o facto de fazerem parte do Executivo atual, membros dos governos de José Sócrates e de António Guterres. O primeiro é arguido principal do caso Face Oculta, e o segundo deixou de ser primeiro-ministro em 2002, há mais de 15 anos. Sendo que o seu tempo também ficou marcado pela popularização da expressão ‘jobs for the boys’, ou seja já na altura associava o Partido Socialista ao nepotismo, embora na altura os ‘boys’ fossem mais amigos do que familiares.

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