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José Cabrita Saraiva 27/12/2018
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

A penúltima oportunidade do Homem

A principal ameaça da atualidade talvez não seja já a bomba atómica, mas antes a ‘bomba-relógio’ do clima e do ambiente

Em 1954 e 1955, com a Guerra Fria no horizonte e as tragédias de Hiroxima e Nagasáqui ainda bem frescas na memória, o famoso filósofo galês Bertrand Russell fez uma série de palestras sobre a ameaça nuclear que foram difundidas pela BBC. Nelas, Russell falava sobre a possibilidade real de a humanidade provocar a sua própria extinção e propunha uma forma alternativa de estar no mundo e de conduzir as nações que aumentasse a esperança de vida do planeta. Esses ensaios conheceram uma edição portuguesa que leva o sugestivo título “A Última Oportunidade do Homem”.

A ameaça nuclear está hoje menos presente e pode mesmo argumentar-se que foi a descomunal dimensão do arsenal nuclear das superpotências (EUA e União Soviética) que impediu um novo conflito de grande escala na segunda metade do século XX. Ainda assim, o tema mantém-se relevante. A diferença é que a principal ameaça da atualidade talvez não seja já a bomba atómica, mas antes a ‘bomba-relógio’ do clima e do ambiente.

No início deste mês, uma ativista sueca de apenas 15 anos interpelou os líderes mundiais a agir, acusando-os de nada fazerem pelas gerações futuras: “Estamos a enfrentar uma ameaça existencial e não há tempo para continuar a seguir neste caminho de insanidade”, disse na ONU. De facto, estamos a dilapidar os recursos do planeta e a predar a natureza a um ritmo vertiginoso. Segundo estudos recentes, se continuarmos “neste caminho de insanidade” a temperatura média subirá 5 graus até ao fim do século.

Será esta a última oportunidade da espécie humana? Bertrand Russell estava convencido disso há mais de meio século e enganou-se. Pelos vistos foi-nos concedida pelo menos mais uma oportunidade para evitarmos a nossa própria aniquilação. Como não sabemos se haverá outras, desperdiçá-la seria uma asneira de todo o tamanho. Com resultados provavelmente catastróficos - mas também inteiramente merecidos.

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