15/12/18
 
 
António Luís Marinho 12/10/2018
António Luís Marinho

opiniao@newsplex.pt

(A)Ventura populista

Era inevitável que aparecesse por cá alguém que se julgasse uma espécie de salvador da pátria e tentasse semear os ventos do radicalismo

“Os populistas devem ser criticados pelo que são: um verdadeiro perigo para a democracia”

Jan-Werner Müller

Talvez seja dar-lhe demasiada importância escrever uma crónica sobre a anunciada intenção de André Ventura, uma imitação tosca de Bolsonaro, de criar um partido político radical de direita.

André Ventura, saído do anonimato graças a truculentos comentários desportivos em defesa do Benfica e, posteriormente, por afirmações polémicas na qualidade de vereador da Câmara de Loures, eleito pelo PSD, vai agora surfar a onda do populismo, na moda noutras paragens.

Era inevitável que aparecesse por cá alguém que se julgasse uma espécie de salvador da pátria, que tentasse semear os ventos do radicalismo neste Portugal tão avesso, felizmente, a estas aventuras.

O homem é uma invenção do PSD. Agora, depois de querer apear o atual líder, sem sucesso, resolveu bater com a porta e criar o “Chega”, aproveitando o nome do movimento que, infrutiferamente, quis liderar para recolher as 2500 assinaturas necessárias para a convocação de um congresso extraordinário com o objetivo de demitir Rui Rio.

Frustrados os seus intentos, à beira do abismo, deu um passo em frente.

Fontes citadas pelo i afirmaram que o novo partido vai concentrar-se em “cinco eixos fundamentais”, que passam pela defesa de um “autêntico liberalismo económico e político” e onde não faltam “o regresso da prisão perpétua para homicidas e violadores” e a “castração química para pedófilos”.

Claro que a eutanásia será “constitucionalmente proibida”, assim como o “casamento homossexual”.

Aguardemos, portanto, pelas cenas dos próximos capítulos: imigração, minorias, papel das mulheres, etc.

Talvez não seja para levar muito a sério, mas também convém não desprezar totalmente estas incursões de raiz fascista pela democracia.

Ao que tudo indica, o partido vai mesmo chamar-se Chega.

Talvez os portugueses passem a chamar-lhe “Chega pra lá!”.

 

Jornalista

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×