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Desconforto no julgamento do caso dos Comandos

Desconforto no julgamento do caso dos Comandos

DR Vítor Rainho 27/09/2018 13:02

Vasco Brazão, que investigou o caso da morte dos Comandos, foi elogiado pelo ministro da Defesa e por Cândida Vilar, procuradora do DIAP

Está a ser uma semana de “loucos” dentro da esfera militar, adjetiva uma fonte ouvida pelo i. É que além da detenção dos quatro elementos da Polícia Judiciária Militar (PJM) relativa à recuperação do material furtado em Tancos, começa hoje, coincidentemente, o julgamento dos militares acusados no caso da morte de dois instruendos do Curso 127 de Comandos, que perderam a vida em setembro de 2016.

Um inquérito-crime em que a morte de Hugo Abreu e Dylan da Silva Araújo foi investigada pelo Ministério Público (MP), coadjuvado pela PJM. A investigação, liderada pela procuradora Cândida Vilar, do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), resultou na acusação de 19 militares, que se sentarão hoje nos bancos dos réus. E as diligências da PJM foram determinantes nesta acusação.

Vasco Brazão, ex-porta voz da PJM, foi um dos militares que encabeçou esta investigação. O major de Cavalaria recebeu até um louvor - uma Medalha da Defesa Nacional - pelo seu trabalho. “Na qualidade de Oficial Investigador e Autoridade de Polícia Criminal, patenteou notável eficiência, elevada criticidade, frontalidade e ponderação nas diversas ações e diligências de investigação criminal levadas a cabo em coadjuvação direta com o Ministério Público, nomeadamente, num inquérito com elevado grau de complexidade, grande sensibilidade e constante mediatização, onde demonstrou clarividência, determinação e assinalável capacidade de organização, materializada no volume e qualidade processual apresentada”, lê-se na portaria n.º 245/2017 assinada pelo ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em julho de 2017.

O louvor exalta ainda as “excecionais qualidades pessoais e virtudes militares” de Brazão. “O oficial nomeado para representação nas reuniões de coordenação no âmbito da segurança militar, projetando sempre com responsabilidade, rigor técnico e ético, internamente e externamente, a imagem deste OPC [órgão]”, lê-se no documento.

O facto de este ser um dos investigadores chave do caso da morte dos Comandos e um dos visados na investigação da recuperação do material furtado em Tancos está a provocar tensão. Fontes militares ouvidas pelo i caracterizam a detenção dos quatro elementos da PJM como uma “bomba” e temem que o facto de os investigadores da PJM - e da própria PJM ter sido alvo de investigação - possa agora dificultar, de alguma forma, o julgamento da morte dos instruendos do Curso 127.

O major Vasco Brazão, que terminou o curso de oficiais de cavalaria em 1999, é descrito pelos camaradas ouvidos pelo i como uma pessoa “muito culta” e de “total confiança”. Ingressou na PJM por volta de 2013, depois de fazer o respetivo curso, já como major.

 

Elogio

O reconhecimento do trabalho desenvolvido pela PJM no caso da morte dos Comandos não chegou apenas pela mão do ministro da Defesa. Também a procuradora Cândida Vilar revelou que tinha gostado de trabalhar com os elementos da PJM, que, sob o lema “justos e tenazes”, são conhecidos pela rapidez com que investigam os casos que têm em mãos. “Respeitam a autonomia da condução do inquérito pelo Ministério Público e são coesos entre eles. E dentro dos meios militares, muito fechados, têm informações que mais ninguém terá”, disse a procuradora à “Visão” em janeiro deste ano. 

Esta está a ser uma semana explosiva para os militares, que ontem enterraram ainda o soldado dos Comandos Luís Teles, na Madeira. O militar, que esteve recentemente em missão na República Centro Africana, morreu na sexta-feira passada no Regimento de Comandos, na Carregueira. Coincidentemente, o oficial de dia responsável nessa sexta-feira em que o militar disparou sobre si próprio é um dos arguidos no caso da morte dos instruendos do Curso 127.

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