18/11/18
 
 
José António Saraiva 03/09/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

O mistério de Jonas

Esta é a história ‘oficial’. Mas quem sabe se Jonas não ficou no Benfica exatamente por causa do problema nas costas, que fez abortar a transferência? E quem sabe se o Benfica não teria feito bem em vendê-lo, à semelhança do que aconteceu com Cardozo? Quem sabe se os sócios do Benfica, ao atacarem Vieira por querer vender o jogador, não laboraram num erro? Concluindo: quem sabe o que Jonas poderá dar ainda ao futebol - se muito, se pouco?

Tem-se especulado muito sobre a lesão de Jonas, aventando-se que poderá haver algum problema para lá da questão clínica. Julgo que as dúvidas não têm razão de ser.

Rui Vitória, cuja palavra é fiável, explicou que o brasileiro está entregue ao departamento médico do clube, que dá o jogador como indisponível. E a partir daqui, um treinador não pode fazer nada: não pode dar explicações públicas pormenorizadas sobre um tema que não domina nem pode naturalmente pôr o futebolista a jogar. Resta-lhe esperar pacientemente.

 

Recordo uma história que me foi contada por um responsável do Benfica. Óscar Cardozo, no seu último ano na Luz, tinha um problema lombar, na aparência semelhante ao de Jonas, que se tratava com medicamentos que lhe minoravam o sofrimento mas diminuíam a força muscular.

Assim, a alternativa que se colocava ao jogador era tomar os remédios e perder força - ou não os tomar e sofrer de dores que o impossibilitavam de jogar ou, fazendo-o, o sujeitavam a enorme sacrifício.

Claro que a decisão foi transacionar o avançado o mais rapidamente possível, o que aconteceu para um clube turco por um preço considerado baixo para o que Cardozo parecia valer - mas alto para o seu real valor, tendo em conta o problema clínico de que padecia.

 

Jonas pode estar a viver o mesmo filme. Recorde-se que há dois anos o brasileiro esteve muito tempo afastado da competição exatamente por causa desse problema. E no princípio desta época esteve quase para ser transferido, tendo sido dado como quase certo na Arábia Saudita. 

À última hora ficou na Luz - supostamente por ter conseguido melhorar as condições do contrato. Luís Filipe Vieira terá cedido às suas reivindicações, com certeza por opção própria mas também pressionado pelos sócios do clube - que diziam estar “fartos de negociatas” e não queriam ver sair do plantel o melhor marcador da equipa. 

 

Esta é a história ‘oficial’. Mas quem sabe se Jonas não ficou no Benfica exatamente por causa do problema nas costas, que fez abortar a transferência? E quem sabe se o Benfica não teria feito bem em vendê-lo, à semelhança do que aconteceu com Cardozo? Quem sabe se os sócios do Benfica, ao atacarem Vieira por querer vender o jogador, não laboraram num erro? Concluindo: quem sabe o que Jonas poderá dar ainda ao futebol - se muito, se pouco?

Curiosamente, os dois melhores marcadores de sempre da história do Benfica têm problemas de saúde idênticos. Um saiu e pouco mais jogou; o outro ficou e vamos ver quanto tempo mais irá jogar. De qualquer maneira, o que pode concluir-se de tudo isto é que marcar golos faz mal à coluna.

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