18/11/18
 
 
José António Saraiva 16/07/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

A vingança francesa

Se Fernando Santos tivesse optado por um futebol mais agressivo, de ataques rápidos, teria tirado muito melhor rendimento de jogadores que, à partida, eram vistos como as nossas grandes esperanças

O Mundial da Rússia acabou, para tristeza dos amantes do futebol. E convém não confundir estes com os adeptos dos clubes. Gostar de futebol é uma coisa, ser adepto de um clube é outra. O adepto gosta que o seu clube ganhe, nem que seja com um penálti inexistente. O amante do futebol gosta de ver bons jogos e quer que ganhe a melhor equipa.

Há amantes do futebol que são também adeptos de clubes, há amantes do futebol que não são adeptos ferrenhos de clubes e, sobretudo, há adeptos de clubes que não são amantes do futebol. Há de tudo.

 

Ontem, ganhou a equipa mais forte, embora não a equipa que praticou melhor futebol neste Mundial. Essa distinção vai para a Croácia e para a Bélgica, as equipas que deram mais espetáculo e que tinham os dois melhores jogadores: Modric e Hazard. Os portugueses só têm olhos para Ronaldo, mas é um regalo ver jogar aqueles dois futebolistas, baixinhos mas poços de força, habilidade, engenho e técnica. Jogadores completos, que enchem o campo com a sua magia.

As grandes desilusões foram a Alemanha, a Espanha e a Argentina. São três equipas completamente diferentes. A Alemanha é uma divisão Panzer, sem grandes estrelas mas com grande capacidade colectiva, que claudicou pontualmente mas vai continuar a dar cartas; a Argentina é uma equipa de estrelas, sem nenhuma capacidade coletiva; a Espanha foi traída pela saída de Lopetegui, em consequência de um erro crasso da federação espanhola, que decidiu fazer uma manifestação de autoridade no momento errado.

 

O Brasil, não ganhando nada, não desiludiu como noutras ocasiões. Funcionou como equipa e caiu aos pés de uma grande Bélgica. E houve boas surpresas como a Suíça, a Inglaterra, o México, o Japão e até Marrocos. Todos prometeram um futuro risonho.

Aliás, de um modo geral estiveram presentes na Rússia excelentes equipas de futebol. Mas assistimos a poucos grandes jogos, com muitos resultados de 1-0 ou 1-1 e com muitos golos de bola parada. E isto porque o futebol se tornou muito tático e as equipas, antes de procurarem jogar, preocupam-se em não deixar jogar o adversário. Com estas táticas negativas, o futebol perde muito da sua dimensão espetacular.

 

Quanto a Portugal, foi aquela equipa pastosa que vimos. Se Fernando Santos tivesse optado por um futebol mais agressivo, de ataques rápidos, teria tirado muito melhor rendimento de jogadores que, à partida, eram vistos como as nossas grandes esperanças: Bernardo Silva, Gonçalo Guedes, Bruno Fernandes e mesmo Gelson Martins. Mas com aquele futebol de contenção, de posse de bola, que não anda nem desanda, ninguém brilhou.

Há dois anos ganhámos o Europeu sem sermos mais fortes que a França; ontem, a França vingou-se sendo em muitos períodos do jogo inferior à Croácia.

E agora até daqui a quatro anos, no Qatar!

 

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