19/9/18
 
 
Afonso de Melo 13/07/2018
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

CCCP

MOSCOVO - Quatro letras que se tornaram um ícone, também no desporto, também no futebol: CCCP.

Soyuz Sovetskikh Sotsialisticheskikh Respublik. Obviamente, o C no alfabeto cirílico corresponde ao nosso S, como o P corresponde ao nosso R.

União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, traduzindo cabalmente, representação pátria daquilo a que os bolcheviques gostavam de chamar a unidade sagrada dos povos soviéticos. 

Para a malta da minha geração, com a adolescência mergulhada na inevitabilidade da Guerra Fria, a marca CCCP foi fortíssima. Dificilmente algum génio da publicidade (O’Neill à parte) conseguiria melhor.

Por falar em O’Neill, o meu irmão José Vidal tem sempre histórias para contar, seja sobre o que for, e esta é sobre uma figura que Alexandre de Bulhões classificaria de sumamente ridícula. Colega seu (do Zé), guia turístico mexicano, com muita empáfia mas conhecimentos reduzidos dos lugares aos quais levava os seus arrelampados excursionistas, ei-lo na Praça Vermelha, mesmo aqui ao lado, em Moscovo, explicando o que sabia e o que ia inventando pelo caminho quando um, mais curioso, mais chato, menos de engolir conversa para papalvos, se sai com esta: “Hey, compañero, que quiere decir CCCP?”

Sumamente ridículo, sim, mas jamais acanhado e com a manha na ponta da língua, o rapaz responde de pronto, quase de jato, para que não restassem dúvidas sobre a sua erudição (tinha estudos): “CurruCuCuPaloma!”

E desatou a falar do Kremlin.

 

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