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Banca perdoa dívidas de milhões mas não cede aos mais pequenos

Banca perdoa dívidas de milhões mas não cede aos mais pequenos

Magalhães Afonso 11/07/2018 09:02

Antigo empresário ficou impedido de ter acesso a crédito bancário durante 22 anos devido a uma dívida de perto de 3000 euros

Vive há um mês numa tenda no Parque das Nações, em frente ao Altice Arena. Pedro Ribeiro, 59 anos, antigo empresário da Figueira da Foz, ficou na rua depois de muitos anos em que nunca conseguiu recuperar de uma espiral de problemas que começaram com dívidas bancárias. Nos anos 80 do século passado, foi proprietário de uma empresa têxtil na Figueira, mas, “devido a um corte de crédito da banca, foi abaixo” no final daquela década e acabou por ficar endividado.

“Fui artesão têxtil, numa empresa unipessoal, que também foi abaixo, Tinha máquinas para pagar ao banco”, contou ao i, afirmando que teve de “fazer uma ginástica muito grande para não ir preso” – isto porque na “altura qualquer processo de dívida era considerado burla e eu estive com processos de burla”. Segundo Pedro Ribeiro, naquela altura “o crédito era diferente e nunca teve abertura dos bancos para renegociar a dívida.” Nem tinha condições para o fazer. Naquela altura a pressão era tal que não conseguia sair daquele emaranhado”.

Pedro Ribeiro considera que, se tivesse tido oportunidade de negociar o seu crédito, a sua vida teria sido diferente mas lembra que está impedido de recorrer ao crédito. “Há uma informação bancária que não me permite recorre ao crédito durante 22 anos por causa de uma dívida de 3000 euros”, relata ao i. As dívidas da empresa têxtil já estão ultrapassadas mas “eu neste momento devo a um banco 2800 euros e por isso não posso recorrer a crédito bancário”. Esta dívida foi contraída devido a parte de um restaurante que eu tive em 1999/2000. Desde o fecho da empresa têxtil trabalhou sempre na hotelaria, em restaurantes e hotéis de norte a sul do país.

“Sempre que me quis mexer para fazer qualquer coisa não podia recorrer ao crédito”, afirma, contando que “a responsabilidade” da dívida é do banco – “ se não os juros eram enormíssimos” – mas que “mesmo assim continua com a informação que não posso recorrer a crédito nenhum”. O antigo empresário diz que soube dos 22 anos de impedimento de acesso ao crédito “através de uma proposta ao centro de emprego para a criação do próprio posto de trabalho. Foi aprovado o projeto, onde metade era de subsídio de desemprego e outra metade” era crédito bancário. “Foi-me recusado o microcrédito mesmo com o aval do Estado”, lamenta.

A semana passada, o i noticiou que a banca perdoou cerca de 45 milhões de euros de dívida ao grupo de Braga DST, do empresário José Teixeira, depois de anteriormente ter requerido a sua insolvência, e no mês de junho tinha sido a Sporting SAD, ainda presidida por Bruno de Carvalho, a voltar a negociar as condições da sua reestruturação financeira, garantindo um perdão de 94,5 milhões de euros de dívidas bancárias. Uma situação que levou à indignação dos sindicatos do setor, que pedem explicações imediatas aos bancos.

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