12/11/18
 
 
José António Saraiva 28/05/2018
José António Saraiva
Opinião

jose.a.saraiva@newsplex.pt

Sporting: o fantasma do êxodo

Se um deles tivesse sofrido, por exemplo, uma agressão que o impedisse de jogar por algum tempo, não teria direito a uma indemnização por isso? E não seria o Sporting a ter de a pagar?

Os sportinguistas, sejam apoiantes ou adversários de Bruno de Carvalho, não querem discutir o tema por razões óbvias: porque ele é incómodo não apenas para o presidente mas para o clube no seu conjunto.

Refiro-me à possibilidade de os jogadores pedirem a rescisão dos contratos, alegando justa causa.

Os jogadores são os ídolos dos adeptos. São eles que os fazem vibrar com as suas proezas dentro do campo. Por isso, os adeptos do Sporting, gostem ou detestem Bruno de Carvalho, nem querem ouvir falar de saídas. Até porque serão sempre os melhores a sair mais facilmente: Rui Patrício, William Carvalho, Bruno Fernandes, Gelson Martins, Bas Dost, Coates, mesmo Acuña e Fábio Coentrão.

Se o movimento de rescisões avançar, o Sporting ficará quase sem equipa. E perderá centenas de milhões de euros, pois as transferências destes jogadores em condições normais renderiam muito dinheiro.

Mas sejamos racionais: os jogadores (e já agora os treinadores) terão ou não motivos para pedir as rescisões unilaterais dos contratos?

A questão nem me parece muito polémica. O patrão tem a obrigação de garantir a segurança dos seus trabalhadores. O local de trabalho tem de ser um sítio seguro. Nenhum patrão pode pedir aos empregados que trabalhem em condições de insegurança.

Ora, em Alcochete, o Sporting revelou-se incapaz de garantir a segurança dos seus trabalhadores. Com uma agravante: sendo estes trabalhadores figuras públicas, sujeitas a amores e ódios, a entidade patronal tinha um acréscimo de responsabilidade na sua protecção. Tinha a obrigação de ter cuidados acrescidos. E isso não aconteceu de todo. Não só os atletas ficaram em situação vulnerável, expostos à ira dos adeptos, como foram mesmo objeto de agressões.

Não foi só a sua segurança que não foi garantida - foi a sua integridade física que foi violada.

E isto responsabilizaria sempre a entidade patronal, fossem os agressores adeptos ou não do clube. O Sporting não garantiu, dentro das suas próprias instalações, a segurança dos seus atletas, ponto final.

Nestas condições, os jogadores e os técnicos têm todos os motivos para pedir a rescisão unilateral dos contratos com justa causa. Mais: julgo que têm motivos para pedir indemnizações ao clube. 

Se um deles tivesse sofrido, por exemplo, uma agressão que o impedisse de jogar por algum tempo, não teria direito a uma indemnização por isso? E não seria o Sporting a ter de a pagar?

Mas a indemnização também será devida pelos danos físicos sofridos ainda que não incapacitantes, e sobretudo pelos danos morais. Julgo que aqueles jogadores e aqueles treinadores nunca tinham passado por situações tão difíceis, tão aflitivas, tão humilhantes para o seu brio profissional. E isso tem um preço.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×