15/12/19
 
 
José Paulo do Carmo 01/12/2017
José Paulo do Carmo

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Porto vs. Benfica

Esta sexta realiza-se um dos grandes clássicos do futebol português. A festa do futebol é, já se sabe, importante não só para a nossa economia como para o estado de espírito de cada um.

As conversas de café, as brincadeiras entre amigos, a aproximação de pais e filhos, os jantares, a motivação e o nervoso miudinho nos dias que a antecedem. Tudo isso faz parte daquilo que nos deixa bem-dispostos e que nos aproxima dos sentimentos positivos que devemos ter na vida. É uma das razões que devem guiar-nos: seguirmos aquilo de que gostamos, defendermos os nossos, o espírito de equipa. Sou do Benfica e quem me conhece sabe disso. Mas acima de tudo gosto de trabalhar todos os dias para ser uma pessoa de princípios e, antes de qualquer clubismo, sou um defensor acérrimo da luta contra a violência. Seja ela verbal ou física . Acho que é essa parte do futebol que nos puxa para o lado mais negro que há em nós. Mas adoro uma boa discussão, sou acutilante na defesa dos meus e gosto de uma boa troca de argumentos.

O que se tem passado nos últimos tempos, porém, não é nada. É mesquinho, brega, revela falta de nível e ultrapassa todos os limites. O jogo são os jogadores, os treinadores e as bandeiras, os cachecóis, a paixão, a alegria quando se ganha e até a tristeza da derrota. Mas temos de ser nós a colocar um ponto final nesta escalada de palavras e de confrontos. Considero que a comunicação social tem sido, em grande parte, um dos grandes instigadores desta violência ao dar palco a pessoas e a temas que não mereciam sequer um horário de madrugada com bolinha no canto, quanto mais o horário nobre. Mas é mesmo assim – hoje em dia, a competitividade e a procura desenfreada de audiências e vendas fazem com que o respeito fique para segundo plano.

Acho, por isso, que não há volta a dar. Temos de ser nós, os que gostam é dos jogos, os que sofremos com os nossos clubes mas sabemos que existem coisas mais importantes na vida, a expulsar este tipo de condutas. Não podemos continuar como carneiros em discussões cegas, a acreditar em pessoas sem credibilidade a defender aquilo que não conhecemos em profundidade, fazendo figura de parvos por causa de pessoas de respeitabilidade duvidosa. É perigoso apoiarmos este tipo de condutas, é mau exemplo e é um caminho bem escuro continuar a incentivar, seja nas redes sociais ou na rua, este ódio permanente que nos cega e nos transforma em seres menores. Já chega de “paineleiros” sem caráter e de personagens de segunda a passarem mensagens daquilo que, para nós, é acessório. Nós gostamos da bola na rede, da tabelinha e do golo de bicicleta, gostamos da defesa impossível e da finta mais improvável. O futebol é bonito se o encararmos mais como um desporto e menos como a nossa vida.

Apelo, por isso, em dia de Porto-Benfica, a que comecemos a insurgir-nos contra notícias e comentários que nos incendeiam e nos querem colocar uns contra os outros. Talvez seja altura de começarmos a ignorá-los e recriminá-los, porque não fazem de nós estúpidos nem podemos continuar a alimentar os ordenados de quem vive destas permanentes guerras e de quem vive de puxar-nos para esse lado negativo. Saibamos regressar àquilo que é a festa e o espetáculo – e que a nossa postura afaste de vez esses cancros do futebol. Porque, de outra forma, estaremos a fazer acima de tudo mal a nós próprios e a esquecer-nos do que nos trouxe até aqui . Estou sinceramente farto de posturas ridículas e isso é transversal a todos os clubes. Não matem o futebol!

P. S. Obrigado, Zé Pedro (Xutos e Pontapés). Serás sempre recordado como um dos reis da nossa música. Uma perda irreparável para Portugal e um exemplo de um artista brilhante com uma postura verdadeiramente admirável. Quem o conheceu sabe disso. Até sempre. Deixas-nos “Um Perfeito Vazio”.

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