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Paula consola Constança. Os políticos também saem feridos em combate

Paula consola Constança. Os políticos também saem feridos em combate

João Girão Ana Sá Lopes 25/10/2017 10:53

Constança Urbano de Sousa e Jorge Gomes voltaram como deputados. Paula Teixeira da Cruz, do PSD, deu um abraço sentido à ex-ministra

António Costa nunca será um grande consolador público – como o é o Presidente da República, o mais eficaz psicoterapeuta da nação. Esse tipo de coisa não lhe está no sangue. 

Costa compareceu ontem no parlamento com a gravitas e a moderação que impõe uma moção de censura ao governo apresentada por causa dos mais de 100 portugueses que morreram nos incêndios de verão. Falou no “sentido de dever”, no facto de não poderem ser ignoradas “a perda de vidas, a destruição de habitações e empresas e a devastação da floresta”, mas rejeitou que assumir a responsabilidade possa reduzir-se ao “mero ritual de expiação institucional”.

De expiação institucional sabe o antigo secretário de Estado Jorge Gomes e a ex-ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa, que retomaram o seu lugar de deputados. 

Constança que, segundo escreveu na sua carta de demissão, queria demitir-se logo a seguir aos incêndios de Pedrógão Grande mas foi obrigada a manter-se por exigência do primeiro-ministro, precisava claramente de consolo. Paula Teixeira da Cruz, deputada do PSD, antiga ministra da Justiça, envolveu Constança Urbano de Sousa num abraço sentido e murmurou: “Eu sei bem o que é isso.” E Paula sabe: afinal, ela também queria deixar de ser ministra da Justiça do governo de Pedro Passos Coelho, mas o antigo primeiro-ministro pediu-lhe que ficasse até ao fim. 

Constança Urbano de Sousa sentou-se na penúltima fila da bancada do PS, Jorge Gomes na última – os lugares que por tradição são reservados aos que perderam importância no desenho institucional de cada partido a cada momento. Agora vão penar pelo parlamento algum tempo até que lhes seja atribuída uma tarefa de relevo – pelo menos, é assim que funciona a tradição. 

António Costa sobreviveu politicamente – o apoio do Bloco e do PCP chegou –, mas já não é exatamente o mesmo. Nem pode ser. O custo político foi demasiado. 

Quando Assunção Cristas acusou o primeiro-ministro, entre outras violências, de “falta de caráter”, Costa preferiu não responder. As coisas mudaram. O luto nacional acabou, mas o governo em funções cumpre uma espécie de luto aliviado.

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