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Pedro Nuno Santos. “Se houvesse contradição” com António Costa, “qual seria o problema?”

Pedro Nuno Santos. “Se houvesse contradição” com António Costa, “qual seria o problema?”

João Girão Sebastião Bugalho 21/08/2017 08:33

“Eu não tenho de pensar o mesmo que o primeiro--ministro, muito menos sobre as alianças do PS. Mas nesta matéria pensamos o mesmo e não há contradições”

Este fim de semana, em entrevista ao semanário “Expresso”, António Costa desafiou o PSD para um pacto depois das eleições autárquicas e Pedro Nuno Santos, depois de ter dito este ano em entrevista que o “PS nunca mais vai precisar da direita para governar”, afirma agora não ver aí quaisquer “contradições de pensamento”.

Ao i, o governante clarifica que o facto de o Partido Socialista “nunca mais precisar da direita para governar”, por ter encontrado “uma forma de ter maioria absoluta que não depende da direita”, não quer dizer que “não se devam procurar consensos com outras forças políticas em matérias que justificam consensos mais alargados”.

Questionado sobre se não vê nisso uma possível contradição, garante: “Claro que não.” Para o antigo líder da Juventude Socialista, “é tão simples quanto isso”: “Nós já tínhamos dito em campanha que queríamos uma maioria qualificada [de dois terços na Assembleia da República] para o plano de obras públicas em que o país deve investir”, acrescentando que, “já agora, o mesmo consenso se justifica no que diz respeito ao próximo quadro comunitário”, tal como defendido pelo partido nas eleições legislativas de 2015 e, agora, por António Costa.

Mas Pedro Nuno Santos não fica por aí: “Dito isto, se houvesse contradição, qual seria o problema? Eu não tenho de pensar exatamente o mesmo que o líder do governo no que diz respeito a todas as matérias. Muito menos em relação à política de alianças do PS”, atira, ainda que nesta matéria em concreto assegure que pensam “o mesmo”.

“Nem aqui há contradições de pensamento”, sublinha o secretário de Estado ao i. Mas se houvesse, não haveria “problema”. Pelo menos, para ele.

Para Costa, depois do tempo de “disputas” eleitorais, o pós-autárquicas significará “outro tempo” em que será “fundamental” contar com o PSD, que lidera a oposição ao governo.

“A esquerda e a direita não se distinguem em nenhum país do mundo por decidir se fazem um aeroporto ou não”, ironizou o secretário-geral dos socialistas, na referida entrevista ao “Expresso”, sobre a relação do PS com o PSD e a hipótese de mais obras públicas.

De acordo com Costa, depois das eleições de 1 de outubro virá um tempo “certamente com melhores condições para consensos”. Coincidentemente, os mesmos “consensos” que Marcelo Rebelo de Sousa, que também havia considerado o pós-autárquicas como um tempo de mudança de ciclo político, vem pedindo desde que chegou ao Palácio de Belém.

O PSD, por sua vez, é que parece não concordar. Hugo Soares, líder parlamentar dos sociais- -democratas, considerou a proposta de consensos do primeiro-ministro como “o pior de um regresso ao passado” e “um regresso ao socratismo”.

“Quem quis rasgar os consensos foi o Partido Socialista e António Costa”, acusou o presidente da bancada laranja, que não vê no desafio de Costa mais que uma “brincadeira de Verão”.

A esquerda, menos fatalista, reagiu neutralmente. “Mais que consensos entre PSD e PS é preciso que haja grande debate público sobre as infraestruturas”, aconselhou Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, considerando ao mesmo tempo que o “tempo político que vivemos hoje demonstra que é sempre bom debatermos alternativas para lá do bloco central”, isto é, do PSD e do PS.

Do lado do PCP, Jerónimo de Sousa demonstrou menos paciência perante a ideia de António Costa sobre a procura de consensos à direita: “Há aqui uma coisa que não bate a bota com a perdigota... como é que se vai escolher um parceiro para um pacto que deu a contribuição que deu para o atraso nas nossas infraestruturas?” Para o secretário-geral dos comunistas, “não é necessário nenhum pacto, é necessário concretizar obra”.

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