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On the road. As dez melhores estradas para comer quilómetros em Portugal
N222  Régua – Pinhão

On the road. As dez melhores estradas para comer quilómetros em Portugal

N222 Régua – Pinhão D.R. Augusto Freitas de Sousa 25/04/2015 18:43

É aquela velha imagem do “estrada fora”, nós e um caminho para fazer, nada mais pela frente, com o habitual imaginário da aventura, da emoção e do desconhecido

Se a essa jornada se puder associar o prazer de conduzir e a beleza, tanto melhor. O estudo da Avis, citado por inúmeros órgãos de comunicação social, elegeu a estrada entre a Régua e o Pinhão como “a melhor experiência de condução do mundo”. Dizem os especialistas que “o trajecto leva os motoristas ao longo de uma estrada gloriosa que abraça o rio Douro e goza de uma vista espectacular sobre as vinhas perto do rio”.

Não diríamos melhor. Porém, com a ajuda da Estradas de Portugal e de António Manuel Francisco, da Federação de Motociclismo de Portugal, organizador do tour “Portugal de Lés a Lés”, deixamos mais nove hipóteses para conduzir qualquer veículo. A cada curva pode ser surpreendido ou assoberbado pelas imagens de campos, rios, edifícios, aldeias ou cidades ao longo do país. De norte a sul, há caminhos a seguir, rotas a traçar, destinos a escolher.

N247  
Cascais – Colares

No total são pouco mais de 20 quilómetros, conhecidos pelas curvas sinuosas, pelo bom piso, tipicamente agradável para motociclistas (mas quatro rodas também caem bem). De Cascais a Sintra, a estrada 247 é talvez a maneira mais bonita de fazer o trajecto entre as duas vilas. Junto ao Atlântico, com vista privilegiada sobre o Guincho, a praia da Arriba e o cabo da Roca, entre outras belezas da beira-mar, em contraste com o Parque Natural de Sintra-Cascais. Restaurantes, cafés, bares e miradouros ficam a poucos metros ou a meia dúzia de quilómetros da estrada. A 247 continua pela Ericeira, quase sempre junto ao mar e quase até Peniche.

N507  
Alcoutim – Foz do rio Odeleite

É indiferente começar por Alcoutim ou pela foz de Odeleite, escolha à vontade, a não ser que venhamos de Espanha, caso em que compensa começar pelo local onde o rio Odeleite desagua no Guadiana. Os 16 quilómetros, que também se fazem a pé, de bicicleta, mota ou carro, são dos poucos em que se podem acompanhar as curvas do rio. A estrada transmite a tranquilidade do anfiteatro natural da serra do Caldeirão. Há pontos de turismo, entre os quais empresas que se dedicam aos desportos náuticos. A barragem de Odeleite, a poucos quilómetros, completa as paisagens do mais bucólico que se encontra em Portugal, numa estrada melancólica.

N221
Barca d’Alva – Freixo de Espada à Cinta

Barca d’Alva foi estação fronteiriça, terminal de cocheiras e comboios. Hoje continua a ser o ponto final do Douro navegável. Mais para cima, ainda seguindo o rio, só pela estrada 221. Até Freixo de Espada à Cinta são 22 quilómetros que, junto à pequena localidade espanhola Salto de Saucelle, guina para o interior até à vila do poeta Guerra Junqueiro, Freixo de Espada à Cinta. Há pelo menos cinco grandes miradouros junto à terra cujo nome, historicamente, tem várias explicações. Uma delas é que D. Dinis edificou o castelo em 1310, passou por lá e pendurou a sua espada num freixo. Estrada com história.

N246-1  
Castelo de Vide – Marvão

É um bom caminho para uma das vilas mais surpreendentes de Portugal (claro que todos os caminhos são bons mas escolhamos este). No topo da serra
de Sapoio, candidata a Património Mundial, Marvão ergue-se a 860 metros, suficientes para avistar um horizonte longínquo. Se a importância histórica de Marvão se destaca, o outro ponto da estrada não lhe fica atrás: Castelo de Vide. Casas históricas, o castelo, as fontes, igrejas, monumentos, museus e o importante roteiro judaico chegam para justificar uma visita prolongada. Entre as duas localidades, 10 quilómetros de uma paisagem verde, no Alto Alentejo. Uma estrada paisagística.

N230  
Tortosendo – Ponte das Três Entradas

Este troço de 64 quilómetros devia chamar-se Tortosendo, Unhais da Serra, Ponte das Três Entradas.
Até pela importância de Unhais, a sudoeste da serra da Estrela, num vale de origem glaciar, onde corre a ribeira com o nome da terra. O destaque da pequena vila serrana, por vezes conhecida por “Pérola da Beira” ou “Sintra da Covilhã”, vai para as águas termais. A estrada corre ao longo dos limites do Parque Natural da Serra da Estrela e termina, vindo de Tortosendo, numa ponte com três entradas. Tortosendo era conhecido pelas fábricas de teares eléctricos nos anos 60. Estrada serrana.

N339  
Covilhã – Torre

Mais serra da Estrela que isto não há.
E também não há muito a dizer sobre a estrada que chega ao ponto mais alto de Portugal continental. De bicicleta
é possível que só lá cheguem os participantes da Volta a Portugal (ou outros mais dedicados ao desporto), mas de viatura motorizada, sem neve e outros obstáculos, são 40 minutos de curva e contracurva em pleno parque natural, com todas as maravilhas ali ao lado. De campismo a hotéis, pensões
a restaurantes, cafés e afins, há um pouco de tudo neste caminho que passa directamente pela luxuosa Pousada da Serra da Estrela, construída pelo Pritzker Souto Moura. Estrada glacial.

N2  
Almodôvar – São Brás de Alportel

A estrada atravessa Portugal de norte a sul – ou seja, se a quiser fazer toda não vai ficar mal servido. Mítica para muitos, retrato de um Portugal desaparecido para outros, é a maior do país. Começa em Chaves (km 0) e termina em Faro (km 738,5). Muitos segmentos da N2 coincidiam com as vias romanas na Lusitânia. De Almodôvar, Alentejo profundo, terra de conquistas e reconquistas, a São Brás de Alportel, já no Algarve, são 60 quilómetros, a começar em plano mas que rapidamente se transformam em subidas e descidas serra do Caldeirão fora. Aqui já se vêem as amendoeiras e as alfarrobeiras. Estrada com memória.

N301  
Caminha – Extremo

Do litoral para o interior ou vice-versa. Uma estrada provavelmente conhecida dos fãs dos festivais de rock. Com a saída de Caminha, a estrada de 52 quilómetros passa por Vilar de Mouros e acompanha o rio Coura até à localidade de Ribeirinho. A seguir só o volta a reencontrar em Paredes de Coura, ainda antes de Extremo, muito perto do Parque Nacional Peneda-Gerês. No litoral, o Atlântico ou o rio Minho são as estrelas, mas no interior a conversa é outra. Lagos, paisagens, flora e, com sorte, mesmo junto da estrada, pode parar-se de repente porque passou um corço, um garrano, um lobo ou uma ave de rapina. Estrada rock, claro.

N381  
Estremoz – Redondo

Noutros tempos chamavam “comandos do Alentejo” aos soldados da Cavalaria de Estremoz. O quartel
no centro da cidade pode ser um óptimo ponto de partida para os 26 quilómetros que ligam esta localidade ao Redondo. É difícil encontrar um troço tão genuinamente alentejano como esta ligação, com tanto de Alentejo no alcatrão, por isso é melhor aproveitar. Na zona, os monumentos megalíticos abrem a porta a percursos históricos que quase sempre culminam numa das maiores riquezas da região: os vinhos e a gastronomia alentejana.E só por estes últimos ingredientes vale a pena (fora o resto). Estrada quente.

E agora... A melhor do mundo

N222  Régua – Pinhão

Foi eleita pelo estudo da Avis, citado na maioria dos órgão de comunicação internacionais, a melhor estrada do mundo. Os 27 quilómetros são descritos como indo “directamente ao coração do vale do Douro, oferecendo vistas deslumbrantes sobre os socalcos. Esta estrada aproxima-se do valor ideal 10-1 (10 segundos por recta, um segundo gasto em curva) e oferece a melhor experiência de condução do mundo”. Em segundo lugar aparece a estrada costeira na Califórnia, nos Estados Unidos e Holmes Chapel – Alderley Edge, no Reino Unido, em terceiro. Portugal ainda aparece no ranking em 14.º, Sintra – Praia das Maças, e 16.º, São Marcos da Serra – Monchique.

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