Não sou um especialista em política internacional, todavia considero-me um especialista em generalidades. Vai, daí, tomei a ousadia de tecer alguns comentários do que me vou apercebendo pelo Mundo fora.
A vitória de Trump foi um soco no estômago dos europeus que ficaram atarantados, agora têm que tornar este enorme quebra-cabeça, numa oportunidade para cortarem o cordão umbilical com os EUA.
Trump começou de forma terrível, que nem sequer permitiu aos europeus organizarem-se, só Zelensky tem reagido de forma convincente, ao não aceitar que se fale nas suas costas, da Ucrânia e da Europa.
A invasão russa começou a 24 de Fevereiro de 2022, mas, antes, já tinham anexado a Crimeia em 2014.
Zelensky é um homem de fibra, aquando da invasão russa não aceitou o convite dos europeus para o exílio, em vez disso, apelou aos ucranianos para resistirem de forma hercúlea e contra todas as previsões tem resistido com galhardia e pouco armamento de defesa. Zelensky recusa submeter-se aos ditames de Trump ou Putin.
Trump é contra todos os cordões sanitários. A cimeira de Riade, patrocinada por figuras como Putin, Trump e o mediador Mohammad bin Salman, que são hostis à ideia tão cara aos europeus de respeito por regras do jogo acordadas e pela democracia. Putin tem um mandato de prisão internacional como criminoso de guerra, Trump é o primeiro presidente a entrar na Casa Branca como condenado por falsificação de documentos públicos e o príncipe herdeiro saudita é o reconhecido orquestrador do assassinato e desmembramento do jornalista Jamal Khashoggi, entre outros crimes.
Mario Draghi, antigo presidente do Banco Central Europeu e uma das vozes mais reputadas no panorama europeu, disse, “está cada vez mais claro que precisamos agir cada vez mais como se fôssemos um só Estado”. Este é o grande problema da Europa que tem que funcionar a 27 vozes, e não, a 1 voz. O busílis da Europa é a dificuldade e a lentidão a que estão sujeitos os acordos entre os 27.
Mario Draghi alertou no Parlamento Europeu, que “se a Europa seguir o actual processo legislativo, que muitas vezes requer até 20 meses, as respostas políticas da Europa podem tornar-se obsoletas assim que forem tomadas”.
Muitas vezes a Europa é o seu pior inimigo, com excesso de burocracia e dificuldade de tomar decisões em tempo real.
O degelo das relações entre os EUA e a Rússia teve um efeito nefasto e enorme, muito mais visível do que as sanções contra a Rússia de Putin.
A Europa tem que arrepiar caminho, as eleições na Alemanha puseram de sobreaviso os países europeus ao verificar-se que o partido de ultradireita duplicou a sua votação atirando o SPD para um terceiro lugar humilhante.
A Europa não se pode render e, actualmente, a Ucrânia é ainda mais europeia. Se, a Ucrânia cair, a Europa também cairá. A Europa tem que deixar de ser aquela velha senhora chique de boas famílias que fala de um passado que já não existe. E, perceber que o Mundo mudou.