“Um estrangeiro detido não é necessariamente um emigrante”, lembra diretor da PJ

“Um estrangeiro detido não é necessariamente um emigrante”, lembra diretor da PJ


A PJ tem dados sobre a nacionalidade de todos os detidos, mas a sua divulgação não é permitida


O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) alertou esta quarta-feira que um estrangeiro detido “não é necessariamente um imigrante”. Luís Neves deu como exemplo os detidos nos aeroportos por tráfico de droga a nível internacional.

“Um imigrante é estrangeiro, mas um estrangeiro não é necessariamente um imigrante. As cadeias têm muita gente que é estrangeira, mas não é imigrante”, disse o responsável no Parlamento.

Em audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Luís Neves disse também que a PJ tem dados sobre a nacionalidade de todos os detidos, mas a sua divulgação não é permitida.

“A PJ conhece a nacionalidade de todos os nossos detidos, mas não partilhamos [esses dados] porque não nos tem sido permitido partilhar”, explicou, a propósito da questão da introdução da nacionalidade no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que tem sido discutida nos últimos tempos.

O diretor da PJ destacou ainda os crimes de homicídio e de violência doméstica, que representam uma elevada percentagem do total de crimes cometidos. “Isto é uma vergonha nacional, estes crimes são cometidos na maioria das vezes por cidadãos nacionais”, disse. 

De acordo com a agência Lusa, na sua intervenção inicial, Luís Neves falou sobre alguns dos números relacionados com criminalidade violenta, referindo que “a partir de 2010 houve grandes picos de criminalidade violenta, que foram depois estabilizando até ao período da pandemia”.