Presidenciais. Como se faz uma campanha em plena pandemia

Presidenciais. Como se faz uma campanha em plena pandemia


As limitações impostas pelo combate à covid-19 vieram mudar a forma como se vão fazer as campanhas presidenciais, da esquerda à direita.


O tema é recorrente e está na mente de todos os candidatos presidenciais. Este ano não haverá comícios, arruadas ou beijos a bebés. A campanha presidencial será inédita, pois nunca antes o país viveu uma situação como a atual pandemia de covid-19.

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda e candidata presidencial, reservou o parque central da Amadora para o seu último dia de recolha de assinaturas. Foi lá que, em declarações aos jornalistas, afirmou que não vai fazer “nada que não cumpra as condições sanitárias, e essa é a primeira questão”.

A candidata confessou ainda que “uma campanha não vive sem contacto com as pessoas” e prometeu “não deixar que uma campanha não tenha a sua finalidade principal, que é ouvir as pessoas”.

Em declarações ao i, fonte da candidatura de Marisa Matias afirmou que as medidas contra o novo coronavírus “não devem significar um distanciamento dos setores sociais mais afetados pela crise ou dos temas que determinam o futuro do país”, deixando claro que “cumprindo as regras sanitárias, Marisa não deixará de ouvir as vítimas da crise ou a primeira linha que combate a pandemia”.

João Ferreira, pré-candidato à Presidência do Partido Comunista, em declarações ao i, assegurou que “a candidatura que protagoniza é, em si mesma, uma manifestação de confiança nas capacidades do povo português para enfrentar o complexo momento que estamos a viver e que encontrará as formas de chegar aos trabalhadores e ao povo português para o mobilizar para esta importante batalha”, referindo ainda que irá garantir “todas as medidas de proteção sanitária recomendadas pela época que vivemos”.

André Ventura foi o primeiro pré-candidato a anunciar a sua corrida à presidência, tendo iniciado a pré-campanha em fevereiro deste ano. Agora, revela o líder do partido Chega ao i, a campanha teve de ser “completamente redefinida”. Provavelmente, refere André Ventura, “uma parte da campanha” será feita “em equipamentos culturais e sociais como auditórios municipais ou de corporações sociais”. Assim promete “cumprir as regras”, recorrendo também a “ter menos pessoas nos eventos e com materiais de combate à pandemia”.

Tiago Mayan Gonçalves é o candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal. Fonte da campanha referiu ao i que não irá recorrer a comícios e arruadas, apesar de ser “o seu direito político”, apostando na realização virtual de eventos, tal como aconteceu com a convenção do partido, em novembro. Para “suprimir esta falta de proximidade”, refere a equipa de Tiago Mayan, faz-se um “apelo à comunicação social” para realizarem “mais debates entre todos os candidatos e mais entrevistas”.

Abstenção Sobre a abstenção, a campanha de Tiago Mayan acredita que esta será “altíssima” e que “aqueles cidadãos que forem votar o farão como um exercício cívico, num voto de protesto contra o Governo”. Já a candidatura de Marisa Matias confessa ao i estar otimista, tomando como exemplos as eleições nos Estados Unidos e nos Açores e realçando “um aumento muito significativo da participação nas eleições”, mesmo em contexto pandémico.

Eleições Na corrida à Presidência contam-se neste momento nove pré-candidatos. São eles Ana Gomes, André Ventura, Bruno Fialho, João Ferreira, Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa Matias, Paulo Alves, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva.