Volta a Itália. João Almeida continua com farda de líder

Volta a Itália. João Almeida continua com farda de líder


Ciclista português segurou a camisola rosa. Hoje disputa-se a etapa rainha do Giro 2020 (18.ª).


Mais um dia na Volta a Itália, mais um dia em que João Almeida (Deceuninck-Quick Step) segurou a camisola rosa. Esta quarta-feira, o ciclista português terminou a 17.ª etapa da prova – entre Bassano del Grappa e Madonna di Campiglio, num total de 203 quilómetros com quatro contagens de montanha –, juntamente com o resto do pelotão, a cinco minutos e onze segundos do australiano Ben O’Connor (NTT Pro Cycling), vencedor desta ronda.

O atleta natural das Caldas da Rainha mantém assim os 17 segundos de vantagem sobre o holandês Wilco Kelderman (Sunweb) e 2m58 sobre o australiano Jay Hindley (Sunweb), segundo e terceiro classificados da geral.

Desde o fim da terceira etapa com a camisola rosa, o jovem luso, de 22 anos, prepara-se para partir hoje para o 15.º dia na liderança da Grande Volta italiana.

Para esta quinta-feira está programada aquela que é considerada a etapa-rainha do Giro (18.ª), que liga Pinzolo e Laghi di Cancano em 207km, com quatro contagens de montanha, uma de 2.ª categoria, duas de 1.ª e uma de categoria especial aos 170 km, numa subida de 24,8 km até ao topo do Passo di Stelvio (passo de montanha de maior altitude da Itália e uma das mais altas da Europa com 2757 metros de altitude).

A partir desta sexta-feira a prova vai entrar nas três etapas finais. João Almeida posiciona-se cada vez mais como um sério candidato à vitória final da 103.ª edição da Volta a Itália – e depois de já ter feito história, promete agora inscrever o seu nome no patamar mais alto do ciclismo português.

 

673,7 km para o sucesso: milão à vista

O ciclista de A-dos-Francos está neste momento a 673,7 km de tornar-se o primeiro português a vencer uma Grande Volta do ciclismo (Tour, Giro ou Vuelta).

A juntar aos 207 km da etapa de montanha de hoje, os corredores ainda têm pela frente os 253 km planos entre Morbegno e Asti (19.ª etapa, sexta-feira); nova etapa de montanha de 198 km entre Alba e Sestriere (20.ª etapa, agendada para sábado, que deverá sofrer alterações na passagem nos altos de Izoard e Agnel devido à crise sanitárias e a várias interdições locais – a organização poderá limitar-se a um circuito no alto de Sestrières, que configura menos dificuldades), e finalmente o contrarrelógio individual de 15,7 km com final em Milão colocará o ponto final na Volta a Itália de 2020 (21.ª etapa, no domingo).

Se permanecer em primeiro até Milão, João Almeida será o mais jovem vencedor do Giro em 41 anos (e o 5.º mais jovem de sempre das 103 edições da prova). Só mais quatro ciclistas sub-23 conseguiram vencer o Giro, sendo que nenhum deles conseguiu segurar a rosa mais de 12 dias: são eles, Luigi Marchisio (1930), Gino Bartali (por duas vezes, em 1936 e 1937), Eddy Merckx (1968) e Giuseppe Saronni (1979).

Importa reforçar que o português cumpre o seu primeiro ano no World Tour e em Grandes Voltas, estando neste momento a quatro etapas de confirmar uma estreia de sonho inédita.

 

Guerreiro volta a vestir de azul

Ainda durante a 17.ª etapa realizada ontem, de notar também a prestação de Rúben Guerreiro (EF Pro Cycling). O português, vencedor da 9.ª etapa da competição, passou as duas primeiras contagens de montanha de primeira categoria (em Forcella Valbona e Monte Bondone) em primeiro lugar e recuperou a camisola azul. Guerreiro somou 80 pontos e passa a liderar a classificação da montanha com 198 pontos, mais 50 do que Giovanni Visconti, o anterior líder, e que não integrou o grupo de fugitivos nesta quarta-feira.

Rúben Guerreiro é atual 43.º na geral a 1h31.20 do seu compatriota, tendo ontem cruzado a meta em 66.º a 20m10 de O’ Connor.