Marcelo Rebelo de Sousa nunca tinha ido tão longe na vontade de se recandidatar à presidência da República. Ainda faltam dois anos para o fim do mandato, mas o Presidente da República assumiu “uma grande vontade” de cumprir mais cinco anos em Belém. “Se Deus me der saúde e eu achar que sou a melhor hipótese para Portugal”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, no sábado no Panamá, onde participou nas Jornadas Mundiais da Juventude.
Marcelo tinha lançado a dúvida sobre se poderia ou não recandidatar-se. Há menos e um mês, o chefe de Estado admitiu que “depois da operação à hérnia “ já não é o mesmo. “Dois anos, hei de cumpri-los bem. Mas mais cinco anos? Não sei…”, afirmou ao Diário de Notícias.
Os apoiantes e amigos não têm dúvidas de que Marcelo Rebelo de Sousa vai ficar dez anos em Belém. ”Ainda bem, mas tudo isto é um bocadinho teatral”, diz ao i José Miguel Júdice. O ex-dirigente social-democrata considera que o Presidente da República é “um génio em comunicação” e quis lançar a dúvida para “criar em nós alguma ansiedade ou até mesmo uma sensação de orfandade e agora gradualmente vai dizer aquilo que todos nós esperamos que vá acontecer e que faz todo o sentido que aconteça”.
António Capucho, ex-conselheiro de Estado e antigo secretário-geral do PSD, também acredita que Marcelo vai “mesmo avançar” com uma recandidatura em 2021. “Tem dado vários sinais de estar muito entusiasmado com o exercício do cargo e ao mesmo tempo porque está a atingir níveis de popularidade estratosféricos”, afirma, em declarações ao i, António Capucho, que trabalhou vários anos com Marcelo no PSD quando o atual Presidente da República liderava o partido.
Capucho encontra várias razões para Marcelo Rebelo de Sousa se recandidatar daqui a dois anos, mas a que mais destaca é a popularidade. “O povo português está contentíssimo com ele. Nunca houve nada de parecido e isto está relacionado com a forma como ele está próximo dos portugueses e responde a todas as situações em que existem pessoas em dificuldade”.
Capucho não encontra na idade uma limitação, porque o atual chefe de Estado “sempre teve ritmo”, mas admite que um segundo mandato poderá exigir mais contenção. “Ainda tem idade boa para exercer o cargo. Provavelmente com mais alguma contenção no domínio físico e no domínio da intervenção pública”.
Marcelo Rebelo de Sousa tem 70 anos e se fizer mais um mandato, como aconteceu com todos os presidente eleitos desde o 25 de Abril, sairá de Belém com 77 anos. Praticamente a mesma idade de Cavaco Silva que tinha 76 anos quando deixou a presidência da República. Mário Soares e Jorge Sampaio saíram com 66 anos.
O atual presidente já disse várias vezes que só tomará uma decisão definitiva em meados de 2020. Ao longo destes três anos tem dado sinais em vários sentidos. Marcelo é defensor de um mandato único e já admitiu, em entrevista à SIC, em 2017, que “o ideal seria um mandato de seis ou sete anos”. Numa outra entrevista, em maio de 2018 à Rádio Renascença, Marcelo admitiu que não se recandidataria no caso de o país voltar a viver uma tragédia devido aos incêndios. Outra garantia que Marcelo tem dado é a de que não avançará se aparecer alguém melhor do que ele. “Mas ele tem uma elevada consideração por si próprio e é pouco provável que vá pensar que os outros serão melhores”, diz José Miguel Júdice, amigo de longa data do Presidente da República.
A verdade é que já ninguém acredita que Marcelo faça apenas um mandato em Belém. A sua popularidade garante-lhe uma reeleição com uma margem confortável. O anúncio deverá ser feito até ao verão do próximo ano.