Uma vida que não acaba


Se escutarmos com atenção, cada um tem uma história que merece ser contada e que nos surpreenderá por encontrarmos algo onde achávamos que pouco havia


Uma senhora, nos EUA, sente um dia, há 15 anos, uma vontade enorme de vir a Portugal. Ela é uma norte-americana nascida no Rio de Janeiro dos anos 40, neta de uma portuguesa imigrada no Brasil e casada com um norte-americano nascido na Alemanha de onde saiu depois da Segunda Guerra Mundial. 

Conheci-os nessa altura e ficámos amigos. Quando vêm a Portugal, sós ou com os filhos e os netos que aqui a eles se juntam, encontramo-nos, jantamos, e eu e a minha família ouvimos histórias. E são muitas porque quem abre os braços para a vida vive muito e conta ainda mais. 

Desta vez informaram-nos que fizeram o que há 15 anos nos diziam que iriam fazer e sempre suspeitei que não fariam: venderam a casa, deixaram a mobília, trouxeram os livros e os quadros e instalaram-se de vez em Portugal.

Esta é a nossa casa. Porque a nossa casa é onde nos sentimos bem. 

Gosto de ouvir histórias. E gosto especialmente que mas contem na primeira pessoa. Se escutarmos com atenção, cada um tem uma história que merece ser contada e que nos surpreenderá por encontrarmos algo onde achávamos que pouco havia. A que se soma o enriquecimento que esse reconhecimento acarreta, abrindo os olhos, e os ouvidos, quando outros os fecham, e os tapam, porque não se querem interrogar. É preciso muita coragem para aos 70 anos começar a vida noutro continente. Mas como os meus próprios amigos me dizem, é preciso ainda mais para ficar onde não se quer como quem espera pelo fim que, às tantas, parece tardar. Há vidas que não acabam.

Advogado. 
Escreve à quinta-feira 


Uma vida que não acaba


Se escutarmos com atenção, cada um tem uma história que merece ser contada e que nos surpreenderá por encontrarmos algo onde achávamos que pouco havia


Uma senhora, nos EUA, sente um dia, há 15 anos, uma vontade enorme de vir a Portugal. Ela é uma norte-americana nascida no Rio de Janeiro dos anos 40, neta de uma portuguesa imigrada no Brasil e casada com um norte-americano nascido na Alemanha de onde saiu depois da Segunda Guerra Mundial. 

Conheci-os nessa altura e ficámos amigos. Quando vêm a Portugal, sós ou com os filhos e os netos que aqui a eles se juntam, encontramo-nos, jantamos, e eu e a minha família ouvimos histórias. E são muitas porque quem abre os braços para a vida vive muito e conta ainda mais. 

Desta vez informaram-nos que fizeram o que há 15 anos nos diziam que iriam fazer e sempre suspeitei que não fariam: venderam a casa, deixaram a mobília, trouxeram os livros e os quadros e instalaram-se de vez em Portugal.

Esta é a nossa casa. Porque a nossa casa é onde nos sentimos bem. 

Gosto de ouvir histórias. E gosto especialmente que mas contem na primeira pessoa. Se escutarmos com atenção, cada um tem uma história que merece ser contada e que nos surpreenderá por encontrarmos algo onde achávamos que pouco havia. A que se soma o enriquecimento que esse reconhecimento acarreta, abrindo os olhos, e os ouvidos, quando outros os fecham, e os tapam, porque não se querem interrogar. É preciso muita coragem para aos 70 anos começar a vida noutro continente. Mas como os meus próprios amigos me dizem, é preciso ainda mais para ficar onde não se quer como quem espera pelo fim que, às tantas, parece tardar. Há vidas que não acabam.

Advogado. 
Escreve à quinta-feira