A esquerda débil


Se há algo que a esquerda pode fazer é, não se entusiasmando com os syrizas que vão e vêm, ver o mundo de forma menos complexada, de modo a não proclamar hoje o que a direita já dizia há quatro décadas.


Numa das suas inúmeras tentativas para escrever no “Público” um texto semelhante aos publicados nos blogues, Francisco Louçã, o antigo líder não assumido do Bloco de Esquerda, dissertou, a 31 de Agosto, sobre o que a esquerda deve aprender com a direita. 

A par da mudança de ideologia da direita, que Louçã refere já não ser social-democrata, e esquecendo o percurso feito pela esquerda para fazer sua a visão que Sá Carneiro tinha há 35 anos, o texto é uma série de banalidades boçais para encher espaço. 

No entanto, e ignorando o tempo que temos perdido à espera que a esquerda portuguesa aceite como normal o que é óbvio, Louçã tem o mérito de alertar para o preço que esta tem pago pela sua inactividade intelectual.

É que, sossegada numa impunidade ideológica que lhe permite dizer tudo sem que seja questionada, a esquerda limita-se a repetir os jargões do passado. Por seu lado, a direita – e aqui não me refiro à partidária – foi obrigada a esforçar-se por ultrapassar o crivo astuto dos que repetem à exaustão a manha da descredibilização fácil.

Não é difícil ridicularizar o debate, no que Louçã e seus pares são pródigos. Mais complicado fica quando se ganha o gosto e não se evolui. A mesma cassete e tom histriónico, anos a fio, cansa. Farta.

Se há algo que a esquerda pode fazer é, não se entusiasmando com os syrizas que vão e vêm, ver o mundo de forma menos complexada, de modo a não proclamar hoje o que a direita já dizia há quatro décadas.

Advogado 
Escreve à quinta-feira 

A esquerda débil


Se há algo que a esquerda pode fazer é, não se entusiasmando com os syrizas que vão e vêm, ver o mundo de forma menos complexada, de modo a não proclamar hoje o que a direita já dizia há quatro décadas.


Numa das suas inúmeras tentativas para escrever no “Público” um texto semelhante aos publicados nos blogues, Francisco Louçã, o antigo líder não assumido do Bloco de Esquerda, dissertou, a 31 de Agosto, sobre o que a esquerda deve aprender com a direita. 

A par da mudança de ideologia da direita, que Louçã refere já não ser social-democrata, e esquecendo o percurso feito pela esquerda para fazer sua a visão que Sá Carneiro tinha há 35 anos, o texto é uma série de banalidades boçais para encher espaço. 

No entanto, e ignorando o tempo que temos perdido à espera que a esquerda portuguesa aceite como normal o que é óbvio, Louçã tem o mérito de alertar para o preço que esta tem pago pela sua inactividade intelectual.

É que, sossegada numa impunidade ideológica que lhe permite dizer tudo sem que seja questionada, a esquerda limita-se a repetir os jargões do passado. Por seu lado, a direita – e aqui não me refiro à partidária – foi obrigada a esforçar-se por ultrapassar o crivo astuto dos que repetem à exaustão a manha da descredibilização fácil.

Não é difícil ridicularizar o debate, no que Louçã e seus pares são pródigos. Mais complicado fica quando se ganha o gosto e não se evolui. A mesma cassete e tom histriónico, anos a fio, cansa. Farta.

Se há algo que a esquerda pode fazer é, não se entusiasmando com os syrizas que vão e vêm, ver o mundo de forma menos complexada, de modo a não proclamar hoje o que a direita já dizia há quatro décadas.

Advogado 
Escreve à quinta-feira