Os cinco interessados em comprar o Novo Banco (NB) entregam hoje, até às 17h00, as propostas finais ao Banco de Portugal (BdP). O mercado acredita que nenhuma das propostas se aproxima, sequer, dos 4,9 mil milhões de euros que foram necessários para capitalizar o banco, mas que podem estar em cima da mesa outras questões que valorizam as ofertas, como aumentos de capital.
Operações necessárias para o NB conseguir ficar a par do sector, em Portugal, no que se refere aos rácios de capital. Segundo o balanço inicial da instituição, o Rácio Core Tier I do NB era de 9,5%, abaixo dos 10% registados pelas restantes instituições.
Na corrida ao banco liderado por Eduardo Stock da Cunha, que ficou com os activos saudáveis do BES estão o espanhol Santander, os chineses Anbang e Fosun e os americanos Cerberus e Apollo. O Banco de Portugal não tem feito quaisquer declarações, informando apenas quantos interessados continuam na corrida, no final de cada fase do processo.
Para os chineses da Fosun, que são já donos da Fidelidade – a seguradora que pertencia à Caixa Geral de Depósitos – a compra do Novo Banco significaria a entrada no sector da banca em Portugal. Recorde-se que parte da EDP e da REN já pertencem também aos chineses da Three Gorges e da State Grid, respectivamente. Conseguir uma instituição bancária seria uma mais valia até para a expansão dos negócios dos investidores chineses dentro do país.
Fontes próximas do processo afirmam que a Anbang terá a oferta mais elevada em termos de valor, mas que a da Fosun oferecerá outras contrapartidas. Na corrida estão ainda os fundos de investimento da Apollo – que já tinham tentado comprar a Fidelidade – e da Cerberus. E os espanhóis do Santander, que foram mais do que um vez dados como fora da corrida, mas que têm uma vantagem única: são a única instituição europeia interessada no NB.
Recorde-se que a palavra final sobre o comprador será dada pelo Banco Central Europeu, uma vez que o NB nasceu da medida de resolução aplicada ao BES. Depois das propostas entregues, o BdP pode ainda negociar com os vários concorrentes antes da decisão final. Carlos Costa tem dito que queria o processo de venda fechado durante o Verão, apesar de o mecanismo de resolução prever que o banco de transição possa ser vendido no prazo máximo de dois anos após a sua criação.
No caso de se confirmar que a proposta vencedora não chega aos 4,9 mil milhões de euros, será o Fundo de Resolução – ou seja, os outros bancos do sistema nacional – a suportar as perdas. O Económico noticiou recentemente que esse suporte, no entanto, teria pouco impacto nos resultados do bancos, uma vez que poderia ser feito por um prazo alargado.
Recorde-se que aquando da resolução, o NB recebeu dinheiro da seguinte forma: 3,9 mil milhões foram garantidos por um empréstimo do Estado, 700 milhões por um empréstimo da banca e 300 milhões de fundos próprios do fundo de resolução (advindos de contribuições das instituições financeiras normais desde 2012).