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Elina Fraga. Uma "formiguinha trabalhadeira" a quem aindase procura o rasgo

Elina Fraga. Uma "formiguinha trabalhadeira" a quem aindase procura o rasgo

09/01/2014 00:00
É descrita como "uma criação de Marinho e Pinto", mas longe de ser um "ser opaco". Toma hoje posse como representante dos advogados

Dentro da classe, até os mais antigos advogados perguntavam: "Quem é a Elina?" Transmontana de Valpaços, com escritório em Mirandela, era conhecida nalguns círculos do Norte e entre quem conhecia a equipa dirigente dos mandatos de Marinho e Pinto. Pouco mais. Faltava-lhe o mediatismo do bastonário que se exaltava até em frente às câmaras. A ponto de quando Marinho e Pinto sugeriu o seu nome para continuar o seu trabalho à frente da Ordem, um advogado amigo o ter alertado: "Achas que agora inventas um candidato? Ninguém sabe quem ela é. E as campanhas vencem-se na TV." O então bastonário não cedeu: "É uma mulher inteligente e lúcida. E o meu eleitorado não precisa de televisão."

Nas eleições de 29 de Novembro, os mais mediáticos e os que eram dados como os prováveis sucessores de Marinho e Pinto ficaram pelo caminho. Aos 43 anos, Elina Fraga tornou-se a segunda mulher na história da Ordem dos Advogados a ser eleita bastonária (depois de Maria Serra Lopes, na década de 1990), destronando cinco adversários - todos homens -, com 31% dos votos. Nem as penas disciplinares que lhe foram aplicadas pela Ordem e que vieram a público durante a campanha impediram que ganhasse a liderança.

Um colega que prefere o anonimato descreve-a como uma mulher "racional", "reflectida", "prudente e cautelosa", que "procura informar-se e pensar antes de tomar decisões". "É uma criação de Marinho e Pinto e a sua eleição é em parte explicada pela força eleitoral dele. Mas não é um ser opaco", opina o advogado. Desengane-se quem pensa que Elina Fraga, que hoje toma posse como nova bastonária da Ordem dos Advogados, será uma réplica do seu antecessor. Advogados ouvidos pelo i, apoiantes e não apoiantes da sua candidatura, são unânimes: o seu perfil anda longe do carácter exaltado e impulsivo de Marinho e Pinto. É uma mulher "sóbria", "calada", "reflexiva", "inteligente" e que "pensa "três vezes antes de decidir". O seu mandato, apostam os pares, será "bem mais pacífico" e com "uma grande preocupação para não fazer asneiras".

"Muito amada" no núcleo duro de Marinho e Pinto, é descrita como uma "formiguinha trabalhadeira", a quem falta apenas "a centelha" e a capacidade de mobilização. "Encontro-lhe muitas qualidades, só não lhe consigo encontrar o rasgo. Não gera um fenómeno de afectos, ao contrário de Marinho, que gerava uma reacção emocional: ou se adorava ou se odiava", afirma um advogado.

Marinho e Pinto tem agora a certeza de que estava certo quando apostou na sua número dois (a 1ª vice-presidente da lista): "O mediatismo não é condição para se ganhar eleições, é condição que se ganha depois de se fazer um bom trabalho." Conheceu-a de maneira improvável. Há dez anos, andava em campanha em Mirandela, quando foi surpreendido por uma intervenção "substantiva e acutilante" que ia ao encontro das suas ideias. Três anos mais tarde, pegou no cartão com os telefones e desafiou a advogada de Mirandela a integrar a sua lista. Hoje reconhece-lhe "qualidades morais muito fortes" e "quilómetros de viagens entre Lisboa e Mirandela para trabalhar dia e noite, Inverno e Verão".

Divorciada e mãe de uma adolescente de 17 anos, estudou na Faculdade de Direito de Lisboa e desde sempre se imaginou advogada porque era tão "desobediente" que, se não tivesse uma profissão liberal "dificilmente alguém a domaria". Oriunda de uma família conservadora, desempenhou funções autárquicas pelo CDS e pelo PSD e é militante social-democrata. Facto que não a impediu já de dizer no Twitter que faltava a Pedro Passos Coelho "conteúdo ideológico" ou de confessar em entrevista ao "Público" que se soubesse das reformas em curso na Justiça não teria votado no PSD.

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