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O Abrigo. Há vida depois da Adega dos Lombinhos

O Abrigo. Há vida depois da Adega dos Lombinhos

03/10/2014 00:00
Ou melhor, há lombinhos e recomendam-se. O antigo restaurante na Baixa de Lisboa ressuscitou num espaço maior, na Penha de França

"Até amanhã se Deus quiser", despede- -se João Amorim ao telefone depois de confirmar que é ele mesmo, um dos antigos sócios da falecida Adega dos Lombinhos, na Baixa de Lisboa, e que agora está à frente de outro restaurante. "Também com lombinhos?", perguntamos com água na boca. Também com lombinhos. Parece mesmo vontade divina, ressuscitar um restaurante que já dávamos por encerrado e uns lombinhos que tínhamos digerido pela última vez há quase um ano.

A Adega dos Lombinhos, a pequena tasca com os melhores lombinhos de Lisboa, serviu as últimas doses a 31 de Outubro do ano passado. Depois disso fechou portas. "Porque o senhorio nos obrigou", sublinha João Amorim, ou senhor João, conforme o grau de intimidade. "Senão não saía. O senhorio disse que ia fazer um hotel e fomos obrigados a ceder o espaço."

Desde então que a antiga Adega dos Lombinhos está ao abandono. Pelos vistos o hotel ainda não surgiu no edifício na Rua dos Douradores e João tem saudades do espaço antigo. "Estive lá no outro dia porque pertenço ao centro de saúde de lá e aquilo continua igual, tudo a cair", conta João. "Só que a mim podiam--me ter deixado ficar mais um tempo..."

Não ficou, mas a vida continua. Na Adega trabalhava com o irmão Eduardo e com a cunhada. O irmão "não se quis mais meter nisto, neste ramo", mas João não queria deixar de servir lombinhos. "Ele tem 61 anos. Eu ainda sou novo, tenho 49 anos, ainda me falta muito para a reforma."

Trabalhou num restaurante com o sobrinho - "não correu muito bem" - até que decidiu procurar "através da internet" um espaço para alugar. Foi aí que encontrou O Abrigo, na Penha de França, que abriu com esta gerência a 3 de Julho. "Foi o mais em conta que arranjei, se não tinha arranjado outro lá mais ao pé de mim, ao pé da Reboleira, que estava em melhores condições mas era mais caro."

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Antes de servir lombinhos, O Abrigo era gerido por "umas senhoras brasileiras" e era conhecido pela feijoada. Agora tem "mais variedade de pratos". "Todos os dias há um prato do dia, amanhã por exemplo [sexta-feira] é bacalhau com broa."

Mas falemos do assunto em cima da mesa. Os lombinhos continuam iguais, mesmo na grossura, semelhante à de fatias de fiambre. "Na verdade sou eu que os corto à faca", confessa João. "Já são muitos anos disto. Quem os tempera continua a ser a minha cunhada, que também quis vir trabalhar para aqui."

A receita é exactamente a mesma e já tinha sido herdada dos donos anteriores da Adega dos Lombinhos. "A casa ia fazer cem anos em 2017", lembra João. "Não chegou a fazer, mas tivemos pena. Eu estive lá 34 anos, nove como sócio gerente."

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Da Adega ainda conseguiu salvar "a relíquia", um quadro de publicidade ao "Velhinho de 99 Anos", um vinho doce que já não existe. Mais importante que isso, salvou a chapa onde se continuam a fazer os lombinhos.

Rua Mestre António Martins, 23-A, Lisboa. De segunda a sábado, das 7h às 22h. Tem multibanco.

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