A sobrevivência do mais adaptável


Com o PSD a ganhar um certo embalo, há cada vez mais pessoas a admitirem que Rio pode ganhar as eleições, replicando a nível nacional a “reviravolta” surpreendente que aconteceu na Câmara de Lisboa.


Ninguém pode dizer o que vai na cabeça de outra pessoa, mas creio que, quando viu o Orçamento ser chumbado e o Presidente convocar eleições antecipadas, António Costa estava plenamente convencido de que obteria uma maioria absoluta.

Evitou sempre a expressão, para não o acusarem de ele próprio ter provocado o chumbo do Orçamento para conquistar o poder absoluto e governar sozinho. Ao mesmo tempo, também não queria abrir a porta a grandes diálogos com a esquerda, para não afugentar o eleitorado mais moderado: é que há muita gente já cansada de ver partidos com tão pequena representação a mandar tanto.

Só que o cenário de maioria absoluta parece cada vez menos provável e o primeiro-ministro já admite todos os cenários e todos os diálogos.

Mas se o diálogo entre as esquerdas afinal é possível, por que não se entenderam antes para aprovar o Orçamento para 2022? Por que foi preciso provocar esta crise política?

Com o PSD a ganhar um certo embalo, há cada vez mais pessoas a admitirem que Rio pode ganhar as eleições, replicando a nível nacional a “reviravolta” surpreendente que aconteceu na Câmara de Lisboa.

Só que, se a vitória do PSD na CML foi de algum modo “premonitória”, também não se vislumbra um futuro brilhante, convenhamos. Ao que parece, o que se tem verificado na capital é uma espécie de bloqueio que tem impedido Carlos Moedas de avançar com as suas ideias (veremos como corre hoje a votação do orçamento municipal).

Resumindo: mesmo que consiga uma surpreendente vitória no dia 30, Rio não terá uma vida nada fácil.

Quanto a António Costa, o que o poderá ter levado mudar de ideias e a admitir, à beira da votação, o que ainda não tinha admitido antes? Uma questão pura e simples: sobrevivência política. Depois de Darwin, os biólogos descobriram que não é sempre o mais forte que sobrevive, é o que melhor se adapta. Costa sabe isso como ninguém, como mostrou em 2015. E já está a adaptar-se para acomodar o resultado das eleições, mesmo que não lhe seja muito favorável.

A sobrevivência do mais adaptável


Com o PSD a ganhar um certo embalo, há cada vez mais pessoas a admitirem que Rio pode ganhar as eleições, replicando a nível nacional a “reviravolta” surpreendente que aconteceu na Câmara de Lisboa.


Ninguém pode dizer o que vai na cabeça de outra pessoa, mas creio que, quando viu o Orçamento ser chumbado e o Presidente convocar eleições antecipadas, António Costa estava plenamente convencido de que obteria uma maioria absoluta.

Evitou sempre a expressão, para não o acusarem de ele próprio ter provocado o chumbo do Orçamento para conquistar o poder absoluto e governar sozinho. Ao mesmo tempo, também não queria abrir a porta a grandes diálogos com a esquerda, para não afugentar o eleitorado mais moderado: é que há muita gente já cansada de ver partidos com tão pequena representação a mandar tanto.

Só que o cenário de maioria absoluta parece cada vez menos provável e o primeiro-ministro já admite todos os cenários e todos os diálogos.

Mas se o diálogo entre as esquerdas afinal é possível, por que não se entenderam antes para aprovar o Orçamento para 2022? Por que foi preciso provocar esta crise política?

Com o PSD a ganhar um certo embalo, há cada vez mais pessoas a admitirem que Rio pode ganhar as eleições, replicando a nível nacional a “reviravolta” surpreendente que aconteceu na Câmara de Lisboa.

Só que, se a vitória do PSD na CML foi de algum modo “premonitória”, também não se vislumbra um futuro brilhante, convenhamos. Ao que parece, o que se tem verificado na capital é uma espécie de bloqueio que tem impedido Carlos Moedas de avançar com as suas ideias (veremos como corre hoje a votação do orçamento municipal).

Resumindo: mesmo que consiga uma surpreendente vitória no dia 30, Rio não terá uma vida nada fácil.

Quanto a António Costa, o que o poderá ter levado mudar de ideias e a admitir, à beira da votação, o que ainda não tinha admitido antes? Uma questão pura e simples: sobrevivência política. Depois de Darwin, os biólogos descobriram que não é sempre o mais forte que sobrevive, é o que melhor se adapta. Costa sabe isso como ninguém, como mostrou em 2015. E já está a adaptar-se para acomodar o resultado das eleições, mesmo que não lhe seja muito favorável.