Man. United-Barcelona. O equilíbrio ancestral desfeito por Guardiola

Man. United-Barcelona. O equilíbrio ancestral desfeito por Guardiola


Os red devils tinham ligeiro ascendente até à última década. Entre 2009 e 2011, a superquipa blaugrana orientada pelo atual técnico do Man. City venceu duas Champions à custa dos ingleses, que agora se vão tentando reerguer.


O segundo dia de quartos-de-final da Liga dos Campeões tem reservados dois embates carregados de história nas competições europeias – e particularmente na Champions. Foram vários os jogos memoráveis entre Manchester United e Barcelona e entre Ajax e Juventus ao longo dos anos – até em finais da prova -, e é de esperar mais duas partidas ricas em emoção e peripécias que certamente ficarão para a história.

De entre os dois confrontos, e dada a queda sofrida pelo Ajax a partir do novo milénio, focar-nos-emos hoje no embate entre United e Barça. Nos últimos dez anos, estas equipas enfrentaram-se duas vezes na Liga dos Campeões, ambas na final… e ambas a terminar com os blaugrana a sorrir: 2-0 em 2008/09 e 3-1 em 2010/11.

Até aí, o histórico era ligeiramente favorável aos ingleses, com três vitórias (uma delas numa final da Taça das Taças, em 90/91, por 2-1) contra duas dos espanhóis e quatro empates em nove jogos. O efeito Guardiola, todavia, fez a balança pender para o lado catalão: tanto na final de Roma (2009) como na decisão de Wembley (2011) o Barcelona foi amplamente superior ao Manchester United.

Em 2009, ainda no primeiro ano do atual treinador do Manchester City ao leme blaugrana, o Barça abriu a contagem aos dez minutos, por Eto’o, e fechou-a aos 70’, com Messi a marcar… de cabeça. O United era campeão europeu em título e passou aí a coroa ao Barcelona, no que foi o último jogo de Cristiano Ronaldo nos red devils – essa foi, de resto, a única vez que a Pulga e o CR7 se encontraram numa final da Champions.

Já em 2011, o triunfo foi ainda mais inquestionável. Rooney até conseguiu empatar o jogo aos 34’, sete minutos depois de Pedro ter aberto o marcador, mas esse Barça estava realmente intratável. Aos 54’, Messi recolocou os blaugrana em vantagem e, aos 69’, David Villa fechou o resultado. Um golo para cada um dos atacantes e uma estatística esmagadora a favor do Barcelona: 19 remates contra quatro do United. Alex Ferguson, lendário técnico dos red devils, afirmou após o apito final ter estado perante “a melhor equipa” que havia defrontado na carreira, num discurso corroborado pelos centrais Rio Ferdinand e Vidic. Abidal, operado dois meses antes para remover um tumor no fígado, levantou o troféu, no que foi obviamente o momento mais emotivo da noite.

 

Barça continua a ter Messi… Hoje, as forças estarão bem mais desequilibradas do que a história faz crer. O Barcelona caminha tranquilamente para a conquista do segundo campeonato consecutivo e aposta agora todas as fichas na Champions, prova que não vence há quatro anos; o United, por seu lado, continua a tentar reerguer-se após o adeus de Sir Alex, estando envolvido numa luta hercúlea na Premier League pelos lugares de acesso à Liga dos Campeões – uma competição onde conheceu a glória pela última vez já em 2007/08, na primeira de cinco vitórias de Ronaldo.

No conjunto da eliminatória, o Barça terá de ser visto como favorito – até porque continua a contar com Messi, que o próprio Solskjaer, técnico do United, classificou de “uma das maiores individualidades” que já viu no futebol. Mas que, frisou todavia o antigo avançado norueguês, “não é impossível de parar”. Ouvido pelo site do Barcelona, Zlatan Ibrahimovic, que passou pelos dois conjuntos, optou por não vaticinar qualquer desfecho, prevendo apenas um “jogo muito interessante”. Ainda assim, deixou os nomes dos dois atletas que considera terem maior probabilidade de fazer a diferença esta noite em Old Trafford: “Messi e Pogba.”

Em Amesterdão, o favoritismo recai igualmente para a equipa visitante, especialmente após se tornar conhecida a lista de convocados da Juventus e o facto de lá constar o nome de Cristiano Ronaldo. O CR7, recorde-se, está afastado dos relvados desde que foi obrigado a sair ainda na primeira parte do Portugal-Sérvia, no último mês de março; ontem, todavia, já treinou sem apresentar quaisquer limitações físicas e foi por isso chamado por Massimiliano Allegri, que na antevisão do encontro confirmou a titularidade do avançado luso. João Cancelo, o outro internacional português, também está presente numa lista onde não constam os nomes dos lesionados Chiellini e Emre Çan.

Do lado holandês, o respeito pela vecchia signora é total, mesmo tendo o Ajax deixado para trás o Real Madrid nos oitavos. Basta atentar nas palavras de Frenkie de Jong, uma das figuras da equipa – já contratado pelo Barcelona para a próxima época a troco de 75 milhões de euros: “A Juventus está acima do Real Madrid, que é um clube de elite mas está abaixo da sua melhor forma esta temporada. A Juventus é um dos candidatos ao título”.