O governo espanhol de Pedro Sanchéz aprovou na sexta-feira um decreto que determina a exumação dos restos mortais do ditador Francisco Franco da Basílica do Vale dos Caídos. O decreto governamental terá agora que ser ratificado no parlamento – e o PSOE conta com o apoio das outras bancadas da esquerda, sendo que basta uma maioria simples, e a direita deverá abster-se -, pelo que a família do ditador será convidada a pronunciar-se sobre o local para onde deverão ser transladados os restos mortais de Franco.
É claro que a família do ditador já adiantou que vai usar todos os recursos legais e judiciais que tiver ao alcance para evitar a exumação e a transladação. Mas o decreto de Sanchéz, já por causa das coisas, prevê que, caso a família não indique local para a trasladação, o Governo decidirá o que fazer.
Enquanto andam nisto os espanhóis, por cá andamos nós a discutir quem deve ou não deve passar a ter poiso no Panteão Nacional – a Igreja de Santa Engrácia transformada em monumento nacional e última morada de grandes figuras históricas nacionais ou com elevados serviços prestados ao país. E lá estão caixas tumulares evocativas de personalidades dos descobrimentos portugueses, bem como os túmulos com os restos mortais de Presidentes da República, políticos ou escritores e poetas de referência. E, já este século, também de Amália, a fadista, e Eusébio, o futebolista – que levaram o nome de Portugal por todo o mundo.
Vai daí, e tirando as polémicas ocasionais de um ou outro jantar, de quando em vez calha alguém a lembrar-se de propor mais uma ou outra personalidade para o Panteão. Ora é Mário Soares, ora Álvaro Cunhal…
A última partiu da Sociedade Portuguesa de Autores: Zeca Afonso – o cantor de intervenção que expressamente manifestou a vontade de ser enterrado numa campa rasa.
Enfim, polémicas sem sentido. No século XXI, já era tempo de sabermos deixar os mortos em paz e cuidarmos mas é dos vivos. Porque são os vivos que fazem o futuro. E o resto é passado. E o passado é História – e esta,
faça-se o que se fizer, já não se altera.