O Rio de Janeiro visto de cima


Quando o sol se põe nesta cidade, atrás dos maciços, até as favelas a iluminam. 


Rio de Janeiro não precisa de miradouros. Não precisa de gradeamentos a separar os turistas do abismo, não precisa de bares de apoio nem tão-pouco de acessos fáceis. O Rio de Janeiro nasceu com tudo para ser visto de cima e nem o que lhe falta é um problema. 

Em anos anteriores, já tinha subido ao alto do Cristo Redentor (morro do Corcovado) e ao morro Dois Irmãos (as duas formações rochosas que marcam o fim do Leblon). No último fim de semana foi a vez de fazer a trilha da Pedra Bonita. Outra vista de perder a respiração.

Para quem não conhece detalhes, o Cristo Redentor tem uma vista de 360 graus a 710 metros acima do nível da água. Já o morro mais alto dos Dois Irmãos fica a mais de 530 metros de altitude – onde só se chega cruzando a favela do Vidigal. No caso da Pedra Bonita, a altitude é de cerca de 700 metros e para lá chegar é preciso uma hora de trilha.

No domingo, a chegada à Floresta da Tijuca, entre os bairros de São Conrado e Barra da Tijuca, foi já perto das 16h – depois de uma manhã de sol e praia. Pela frente estavam alguns minutos dentro do parque nacional, numa trilha que, consoante a hora, pode ser mais ou menos perigosa. O aviso foi feito logo à chegada pela segurança: “Pode voltar à noite, hoje está muita gente, nem tem problema de fazer sozinho.” Com o dia a aproximar-se do fim (aqui escurece mais cedo), esse era o detalhe de que precisávamos para decidir que o pôr-do-sol seria lá em cima e que a descida seria feita com as luzes dos telemóveis ou mesmo às escuras, caso não sobrasse bateria depois das fotografias.

A chegada ao topo e aquele vento sem rumo, depois de tanto tempo dentro da vegetação cerrada, dá uma sensação de libertação que aumenta quando nos aproximamos do “abismo” e vemos a Cidade Maravilhosa aos nossos pés. E é aí que entra a parte dos miradouros por que comecei. É que, ali, a vista é das mais arrebatadoras que já vi – e venho da cidade das sete colinas, onde estão alguns dos miradouros mais bonitos que conheço.

Subir a uma pedra despida de tudo como aquela é mais imponente, sobretudo no Rio de Janeiro, onde os maciços cobertos por vegetação parecem não ter fim à vista, sendo intercalados por cenários urbanos e recortados por bairros pobres nas encostas. Já para não falar nos que brotam do mar, na imensidão de mar que acaba na faixa estreita de areia.

Se se olhar para um lado vê–se toda a zona Sul, se nos virarmos para o outro, a zona Oeste.
Mas até as favelas lhe dão um colorido especial, sobretudo quando o sol se põe atrás das montanhas e as luzinhas começam a iluminar as encostas. Foi por esse momento que esperámos, pelo momento em que o sol se escondeu atrás da Barra da Tijuca e deixou sem luz Leblon, Ipanema e Copacabana. É claro que a saída foi já com pouca bateria e menos luz ainda.

*Estudante MBA Atlântico


O Rio de Janeiro visto de cima


Quando o sol se põe nesta cidade, atrás dos maciços, até as favelas a iluminam. 


Rio de Janeiro não precisa de miradouros. Não precisa de gradeamentos a separar os turistas do abismo, não precisa de bares de apoio nem tão-pouco de acessos fáceis. O Rio de Janeiro nasceu com tudo para ser visto de cima e nem o que lhe falta é um problema. 

Em anos anteriores, já tinha subido ao alto do Cristo Redentor (morro do Corcovado) e ao morro Dois Irmãos (as duas formações rochosas que marcam o fim do Leblon). No último fim de semana foi a vez de fazer a trilha da Pedra Bonita. Outra vista de perder a respiração.

Para quem não conhece detalhes, o Cristo Redentor tem uma vista de 360 graus a 710 metros acima do nível da água. Já o morro mais alto dos Dois Irmãos fica a mais de 530 metros de altitude – onde só se chega cruzando a favela do Vidigal. No caso da Pedra Bonita, a altitude é de cerca de 700 metros e para lá chegar é preciso uma hora de trilha.

No domingo, a chegada à Floresta da Tijuca, entre os bairros de São Conrado e Barra da Tijuca, foi já perto das 16h – depois de uma manhã de sol e praia. Pela frente estavam alguns minutos dentro do parque nacional, numa trilha que, consoante a hora, pode ser mais ou menos perigosa. O aviso foi feito logo à chegada pela segurança: “Pode voltar à noite, hoje está muita gente, nem tem problema de fazer sozinho.” Com o dia a aproximar-se do fim (aqui escurece mais cedo), esse era o detalhe de que precisávamos para decidir que o pôr-do-sol seria lá em cima e que a descida seria feita com as luzes dos telemóveis ou mesmo às escuras, caso não sobrasse bateria depois das fotografias.

A chegada ao topo e aquele vento sem rumo, depois de tanto tempo dentro da vegetação cerrada, dá uma sensação de libertação que aumenta quando nos aproximamos do “abismo” e vemos a Cidade Maravilhosa aos nossos pés. E é aí que entra a parte dos miradouros por que comecei. É que, ali, a vista é das mais arrebatadoras que já vi – e venho da cidade das sete colinas, onde estão alguns dos miradouros mais bonitos que conheço.

Subir a uma pedra despida de tudo como aquela é mais imponente, sobretudo no Rio de Janeiro, onde os maciços cobertos por vegetação parecem não ter fim à vista, sendo intercalados por cenários urbanos e recortados por bairros pobres nas encostas. Já para não falar nos que brotam do mar, na imensidão de mar que acaba na faixa estreita de areia.

Se se olhar para um lado vê–se toda a zona Sul, se nos virarmos para o outro, a zona Oeste.
Mas até as favelas lhe dão um colorido especial, sobretudo quando o sol se põe atrás das montanhas e as luzinhas começam a iluminar as encostas. Foi por esse momento que esperámos, pelo momento em que o sol se escondeu atrás da Barra da Tijuca e deixou sem luz Leblon, Ipanema e Copacabana. É claro que a saída foi já com pouca bateria e menos luz ainda.

*Estudante MBA Atlântico