Um governo amoral


De repente, corre tudo mal. Foi tão rápido que muitos devem estar a coçar a cabeça, pensando o que fazer às crónicas escritas nos últimos meses. Costa, o génio político, afinal não tem mão nisto. Já agora, acrescento que Marcelo também não. É uma evidência, mas a vista da maioria tem andado entorpecida e foi…


De repente, corre tudo mal. Foi tão rápido que muitos devem estar a coçar a cabeça, pensando o que fazer às crónicas escritas nos últimos meses. Costa, o génio político, afinal não tem mão nisto. Já agora, acrescento que Marcelo também não. É uma evidência, mas a vista da maioria tem andado entorpecida e foi preciso o fumo dos fogos para a aclarar.

Foi a EDP, os empregos para a família de César, Pedrógão Grande, Tancos e, qual cereja em cima do bolo, o focus group. É demasiada realidade em demasiado pouco tempo. E azar dos azares, no verão, mesmo em cima das autárquicas. Como é que gente tão batida nisto, neste modo amoral de governar, foi apanhada na curva desta maneira? O facto é que, por muito profissional que seja, o governo está ferido de morte porque não ganhou as eleições.

Eu sei, voltamos ao mesmo, mas é Costa que o confirma. Porque, ao não ter vencido as eleições, Costa depende das boas notícias que fabrica e explora. Foi por ter perdido as eleições que depende dos interesses que capturaram o Estado e que PS, PCP e Bloco não querem questionar. Foi por o PS não ter ganho as eleições que o governo se socorreu da bazófia, foi displicente, distorceu factos, mentiu, provocou, deitou foguetes e se apropriou de sucessos alheios. Divertiu. Fez tudo menos governar e, não governando, não perdeu só o rumo, que nunca teve, mas a moralidade que advém duma existência democrática. Um dia cairá sem que ninguém perceba porquê. O que está podre cai assim: sem que se ouça.