Dias depois da tragédia de Pedrógão Grande, Passos Coelho cometeu uma gafe quando disse conhecer casos de suicídio que, felizmente, não aconteceram. Foi um erro lamentável do qual pediu imediatamente desculpas. Mesmo assim, boa parte da imprensa e comentadores, uns a soldo da esquerda, outros sem vontade própria, não largaram o sucedido, fazendo esquecer a verdadeira vergonha deste mês.
Desde a noite de sábado, dia 17 de junho, que Marcelo e Costa desvalorizaram o desastre. O Presidente da República apressou-se a dizer, também sem saber, que se tinha feito o máximo. Mais tarde, quando deu jeito, pôs-se à margem e exigiu explicações. Já Costa, menos impulsivo que Marcelo mas ator de não menor qualidade, surgiu contristado como quem espera que aquela desgraça não ponha termo à festa a que sujeitou o país desde que, todos os dias, precisa de uma boa notícia para legitimar a forma como chegou a primeiro-ministro.
Mas “aquilo” não passou porque, infelizmente, era grave demais. Foram muitos mortos, feridos, desaparecidos, e muita gente que ficou sem nada, para que se passasse um pano por cima. Foi aí que Costa decidiu ser tempo de descer do palanque de chefe de governo e juntar-se ao povo, exigindo explicações. Porque Costa e Marcelo, amigos do povo, não explicam, exigem, deixando de ser quem são quando isso lhes interessa. Deste comportamento lamentável não virá um pedido de desculpas. Eles são demasiado espertos para isso, e o país demasiado manobrável para tal. Até ver.
Advogado, escreve à quinta-feira