O défice democrático em Lisboa


Como lisboeta que sou, também acho que o espaço que vai do Marquês ao Campo Pequeno ou, como agora se gosta de chamar, o eixo central, ficará melhor com as obras. Ou, pelo menos, mais bonito. Acho que a questão é indiscutível, pelo que não é a ela que me refiro nesta crónica. O ponto…


Desde Jorge Sampaio que a presidência da Câmara de Lisboa é utilizada como trampolim para voos maiores. Sampaio foi para Presidente da República, Santana Lopes e António Costa para primeiros–ministros. O resultado é a autarquia acabar por ser gerida por políticos de segunda linha, não eleitos para o cargo e que veem nessa fortuna uma oportunidade para se afirmarem.

Um pouco à semelhança do que sucedia com o rotativismo na segunda metade do século xix, o exercício do poder político em Lisboa encontra-se viciado, com o futuro presidente que acaba por vencer as eleições previamente indicado no exercício daquelas funções. E é aqui que entram as obras na cidade: para ajudar a legitimar eleitoralmente o que foi decidido num gabinete.

É ótimo que Lisboa fique mais bonita. Mas é igualmente importante que os próximos presidentes da autarquia sejam devidamente eleitos, cumpram o mandato até ao fim e, mais que obras, de que os lisboetas estão cansados, apesar de Lisboa continuar desarrumada, se preocupem em ter as contas em ordem. Em ordem, as contas transmitem estabilidade, segurança e paz. Ao poder público cabe-lhe fazer isto dentro das regras do jogo democrático. Sonhos de grandeza, deixem-nos para as pessoas que cá vivem.

Advogado


O défice democrático em Lisboa


Como lisboeta que sou, também acho que o espaço que vai do Marquês ao Campo Pequeno ou, como agora se gosta de chamar, o eixo central, ficará melhor com as obras. Ou, pelo menos, mais bonito. Acho que a questão é indiscutível, pelo que não é a ela que me refiro nesta crónica. O ponto…


Desde Jorge Sampaio que a presidência da Câmara de Lisboa é utilizada como trampolim para voos maiores. Sampaio foi para Presidente da República, Santana Lopes e António Costa para primeiros–ministros. O resultado é a autarquia acabar por ser gerida por políticos de segunda linha, não eleitos para o cargo e que veem nessa fortuna uma oportunidade para se afirmarem.

Um pouco à semelhança do que sucedia com o rotativismo na segunda metade do século xix, o exercício do poder político em Lisboa encontra-se viciado, com o futuro presidente que acaba por vencer as eleições previamente indicado no exercício daquelas funções. E é aqui que entram as obras na cidade: para ajudar a legitimar eleitoralmente o que foi decidido num gabinete.

É ótimo que Lisboa fique mais bonita. Mas é igualmente importante que os próximos presidentes da autarquia sejam devidamente eleitos, cumpram o mandato até ao fim e, mais que obras, de que os lisboetas estão cansados, apesar de Lisboa continuar desarrumada, se preocupem em ter as contas em ordem. Em ordem, as contas transmitem estabilidade, segurança e paz. Ao poder público cabe-lhe fazer isto dentro das regras do jogo democrático. Sonhos de grandeza, deixem-nos para as pessoas que cá vivem.

Advogado