Espanha. Sánchez falhou, novas eleições a 26 de junho

Espanha. Sánchez falhou, novas eleições a 26 de junho


O líder do PSOE informou Filipe VI que não tem apoios suficientes. Espanha tem eleições a 26 de junho


A ronda de reuniões do rei Filipe VI de Espanha que começou na passada segunda-feira foi inconclusiva: todos os partidos que o rei espanhol ouviu consideravam ser impossível chegar a um acordo, avançando que a única hipótese será Espanha voltar a ter eleições, que se realizam a 26 de junho.

Ontem, Filipe VI reuniu com os líderes do Ciudadanos, Podemos, PSOE e PP, e foi mesmo impossível chegar-se a um acordo.

E se Pedro Sánchez ainda tentou a todo o custo formar governo, Pablo Iglesias e Albert Rivera estragaram-lhe os planos.

Na reta final de negociações, Pedro Sánchez propôs um acordo que foi claramente rejeitado. Segundo a imprensa espanhola, o acordo implicaria três exigências. Primeiro, todos os partidos teriam de se comprometer a apoiar a estabilidade do governo que fosse formado. Segundo, o governo seria do PSOE mas integraria independentes. E por último, o líder do PSOE teria de ser submetido a uma moção de confiança daqui a dois anos. A proposta de Sánchez foi uma contraproposta à ideia do partido Compromís que reunia seis partidos de esquerda, entre os quais o Podemos, e que poderia tornar possível a indigitação de Pedro Sánchez. Mas o PSOE queria-se manter também fiel ao pacto que fez com Rivera.

A hipótese foi rejeitada pelo Ciudadanos, partido com o qual o PSOE mantém o acordo que falhou a sua primeira investidura. “A proposta de acordo nem sequer é digna de ser considerada”, disse Rivera aos jornalistas. “Nós não vamos entrar num pacto com aqueles que querem destruir Espanha”, avançou também Fernando de Páramo, secretário para a Comunicação do Ciudadanos.

Depois do Ciudadanos, foi a vez de o Podemos rejeitar a proposta in extremis de Pedro Sánchez. Pablo Iglesias sempre defendeu um governo de esquerda, pondo o Ciudadanos de parte, e foi por essa mesma razão que não aceitou a proposta de Sánchez. O líder do Podemos aproveitou o discurso para acusar Sánchez pelo impasse em que Espanha se encontra.

Ciente de que Espanha vai voltar a ter eleições, Pedro Sánchez anunciou ontem que vai continuar o acordo com o Ciudadanos, abrindo caminho a uma possível coligação. Sánchez acusou Rajoy e Iglesias das falhas nas negociações. “Não conto com votos suficientes para desbloquear o bloqueio do PP e do Podemos”, disse. “Estamos a caminho de novas eleições”, acrescentou. Sánchez continuou a defender o acordo com o Ciudadanos e agradeceu ao Compromís pela tentativa de tentar formar governo. O problema, segundo ele, é que “Iglesias fechou a porta e jogou ao bloqueio”, disse, referindo-se à nega do Podemos.

Foi o primeiro-ministro ainda em funções e líder do PP, Mariano Rajoy, que fechou a ronda de negociações do rei Filipe VI. Para Rajoy, não há condições para formar governo.

No fim das reuniões, o rei chamou Patxi López, presidente do Congresso espanhol, para comunicar a sua decisão.

As tentativas foram muitas, mas o tempo esgotou-se para a formação de um governo saído das eleições de dezembro. Seis meses depois os espanhóis vão ser de novo chamados às urnas. E dia 26 de junho é pouco provável que alguém obtenha a maioria absoluta.

daniela.ferreira@ionline.pt